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Dinheiro

Não há lago sereno para quem é pobre. Sempre que ouço alguém dizer que dinheiro não trazer felicidade respondo: se é para ser infeliz ao menos seja com o bolso cheio, felicidade com ou sem dinheiro sempre será felicidade, tristeza não. A falta de dinheiro faz qualquer tristeza ser monstro devorador das nossas entranhas. Sem dinheiro somos lixo. Sem dinheiro se morre mais rápido, sem dinheiro se vale menos que um cachorro de madame.Dinheiro não compra a morte, mas atrasa e prolonga a vida, dinheiro define como você será visto e como você se ver.
A diferença de um rato para um homem é que o rato ta condicionado a ser rato, a comer bosta, lixo, viver no esgoto e o homem pode ser condicionado ou não a essa situação, a falta de dinheiro empurra milhões de seres humanos a vida análoga dos ratos. Quase todos os dias ao sair para o trabalho encontro um senhor catando restos no lixo, outro dia o vi chupando ossinhos de galinha que alguém já havia chupado, todos os dias me inquieto com aquela situação quase a porta do Palácio do Planalto.
Foda-se esse bláblá religioso ou místico sobre bens matérias, porque quem se fode mesmo é quem não tem nada, quem depende dos outros, que tem que passar o mês com bolsa família ou salário mínimo, quem vive nas ruas, quem sobreviver dos restos dos outros.
A luta não é pela busca de Deus e sim do dinheiro, porque com dinheiro até Deus parece mais caridoso. Sem dinheiro nem amor sobrevive, amor que dizem ser o mais nobre dos sentimentos evapora diante qualquer crise financeira, sem dinheiro deixamos de ser pessoas, passamos a ser qualquer coisa entre o troço e estorvo.
Dinheiro é a palavra, dinheiro para viver com dignidade. Os nordestinos, africanos ou palestinos são vitimas de preconceitos não por serem nordestinos, africanos ou palestinos, mas porque a maioria são pobres não tem onde cair morto, só por isso.
Quem tem dinheiro não tem amigos tem investimento, quem é pobre também não tem amigos, tem parceiros de infortúnio. Amizade boa é ter como primeiro grito de socorro uma bela caderneta de poupança.
Bom coração pobre vale que porra neste mundo fodido? Neste mundo que se mata cada vez mais em nome de supostas “boas ações”? Lembro de uma canção da banda brasiliense “Os sem destinos” que dizia: “você já se perguntou / meu amigo/ quanto vale Jesus Cristo/ pendurado no pescoço de mendigo?” Eu respondo nada. Mendigos não pagam dizimo, não dão ofertas, não votam, mendigos não existem para uma sociedade que sente nojo e desprezo por si mesmo.
Lembro na escola, “amigos” inseparáveis, bastava um ser reprovado para a tal “amizade” ir para casa da porra, quanto mais quando há relação de dinheiro. Com dinheiro todas portas se abrem, com dinheiro os vícios são transformados em “excentricidades”, sem dinheiro somos lixo, nem precisa ser zerado em grana, basta que tenhamos um emprego modesto ou vivamos em um lugar sem muito floreio social para tomarmos no cu em verde e amarelo.
  

                                                                                      



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