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Feliz Aniversário

Hoje completo 41 anos de vida. Meu pai tinha 41 anos de idade quando morreu, agora que chego à mesma idade dele, fica mais claro para mim o quanto foi breve sua vida, em verdade meu pai só foi feliz nos últimos treze anos de vida, justamente quando entrou para Rede Ferroviária Federal, antes disso foram amargas vivências e agudos dissabores. Meu pai nunca quis sair de Mundo Novo, ao ser empregado na ferrovia foi mandado para Itaberaba, depois Santo Amaro, não nasci em Santo Amaro, mas só deixei a cidade aos 40 de idade, nos dizeres de Herculano Neto, já muito velho. Hoje penso em meu pai, os caminhos que talvez ele tivesse seguido, as cidades que talvez tivesse conhecido, os sabores que não conheceu, as emoções não vividas, as risadas que não deu, as coisas belas que deixou de conhecer. Faço o exercício de colocar meu pai em passagens da minha vida, com se ele nunca tivesse ido embora. Como seria ele com sua neta, com sua velhice, com seus 66 anos, como seria se me encontrasse hoje e descobrisse que andei por tantos caminhos que nunca ousaríamos sonhar quando andávamos juntos, como regeria em pegar um livro meu nas mãos, ele que não sabia ler e se dizia cego por isso, como olharia para Elton e Erick já dois homens feitos? Fecho os olhos e convido meu pai para uma serena festa de aniversário, estamos todos reunidos ainda na casa da Rua da Linha, o dia 06 de dezembro de 1990 foi um dia como outro qualquer, chegamos da pracinha 14 de junho, dormimos em paz e acordamos bem cedinho. O tempo passa e o pior pesadelo e esquecer como era a voz de quem amamos e se foi antes que pudéssemos registrá-la. A voz ingênua do meu pai fala aos meus ouvidos, nunca esqueci, seus conselhos simples estão aqui comigo: “o mundo é um espelho ta aí na sua frente, você é quem sabe de sua vida”, dizia meu pai vez por outra sem mudar o tom de sua voz, de alguma maneira eu entendia, não queria ser refletido por um espelho que magoasse ele e minha mãe. Meu pai morreu jovem, mas já era envelhecido quando morreu, tinha orgulho de ser chamado de pai e senhor, era tranquilo, o lado emotivo da nossa família sempre foi minha mãe, eu pareço com minha mãe, física e espiritualmente é como se o cordão umbilical insiste em não ser cortado, mas meu pai me deu algo de serenidade, e lembre de sua serenidade quando sou confrontado por paixões que ardem em minha pele e que muitas vezes atrapalham minha vida. Hoje aqui em Brasília, uma cidade que vez por outra ele falava, porque alguns dos seus amigos de infância moravam aqui, vou andar por aí, imaginá-lo ao meu lado, olhando para as coisas bonitas daqui, sentaremos em algum banco e conversaremos da mesma maneira que um dia na estação ferroviária de Santo Amaro sentamos e conversamos pela última vez.
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Eu que nunca saio do meu lugar exílio, imagino como o mundo deve ser lindo. Estou tão fantasma em Santo Amaro que me considero um prisioneiro condenado a devorar-me sem piedade e pouco a pouco ir morrendo de tantas angústias que não há sol a iluminar tanta escuridão.
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Carta para daqui a 50 anos

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