Nusakambangan

Às vezes é preciso descer ao inferno para ascender ao paraíso, provar do fel para saber o gosto quase exato do mel, é preciso muitas vezes deitar sobre pedras para saber a diferença exata entre Machado de Assis e Paulo Coelho, é dando que muitas vezes perdemos até o que já não tínhamos, é abrindo os braços que muitas vezes perecemos no acaso, é amando que muitas vezes nos transformamos em rascunhos de gente.
A convivência com a pessoa lugar que somos é essencial, todos nós somos pessoas e lugares de nós mesmos, o que é visto pelos olhos nada é além do que foi construído antes por nossa imaginação. Somos esse platonismo imediato, rascunhado, sereno e turbulento.
É preciso serenidade para saber o momento de ir, de voltar, de brigar, de lutar, de calar e grita. A seriedade pode ser o convívio calmo com a dor ou o grito inútil diante de uma realidade imutável.
A tragédia é deixar de sentir, deixar de imaginar. Ninguém é ruim, ninguém nos engana, todas as pessoas se revelam no momento exato que cruzam nossos caminhos, nós é que imaginamos que pode ser diferente, nós é que imaginamos que assim como fazemos com os cachorros podemos domar a natureza humana e é aí que morrem nossas esperanças.
Antes, quando um amigo ou amor deixavam de ser amigos ou amor, lamentável, tentava reverter à situação, com o tempo aprendi que o que passou tinha que ser passado, e presente quando caminha para passado com amargura deve ficar la, no passado, como um túmulo esquecido em um cemitério.
A sombra existe porque existe a luz, faz parte da luz criar a sombra, eu quero apenas caminhar, ser feliz, nunca perder a alegria de ser quem sou e como cantou Caetano Veloso, aceitar a dor e a delícia de ser quem sou
.

Postagens mais visitadas deste blog

Mãe

A onda da mediocridade

Caetano Veloso, Chico Buarque e Jean Wyllys