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PEDIDO DE EXONERAÇÃO

Por total falta de autonomia, por total falta de autoridade, por ser constantemente desautorizado pelo Senhor Prefeito (até para colocar um carro de som na rua tenho antes que enviar o texto para o prefeito), por não gozar de confiança institucional do Poder Executivo, por saber das responsabilidades de um Secretário Municipal da Educação, Esporte, Cultura e Lazer, por sentir em mim o drama social que muitos dos nossos (as) alunos (as) vivem, por perder a crença de que teria liberdade institucional para realizar as mudanças necessárias na educação, por respeito aos meus colegas de trabalho, aos servidores do magistério que em dois meses de governo vieram momentos de incertezas e tiveram o silêncio e cumplicidade do seu sindicato com o mal e a indiferença mórbida da Câmara de Vereadores.
Por respeito aos professores e professoras que desde janeiro estão trabalhando comigo na sede da secretaria e até a data de hoje não receberam seus vencimentos pela força intelectual do brilhante trabalho que estão fazendo, pelas crianças nas creches sem monitores ou educadores e merenda escolar, pelos educandos da zona rural e miséria continuada que será o transporte escolar, pela miséria continuada de uma péssima educação.
Por respeito aos nossos professores (as) que durante a jornada pedagógica tiveram momentos de alegria e a sensação de coisas boas para o ano letivo que deveria começar no dia 02 de março e por ordem e força do prefeito foi suspenso.
Por desde janeiro ter entrado com pedido de licitação para o transporte e para merenda na Secretaria da Administração e no Gabinete do Prefeito e não obter tido resposta alguma, por ter solicitado ainda em janeiro, a contratação de professores(as) antes do dia 16 de fevereiro, o que não aconteceu.
Solicito minha exoneração do cargo de Secretário Municipal da Educação, Esporte, Cultura e Lazer.
Não quero acreditar que todos os problemas administrativos da Secretaria da Educação foram plantados artificialmente para desestabilizar a instituição e derrubar todo o comando, seria algo monstruoso e nunca visto nesta cidade.
Desestabilizar a Secretaria da Educação é promover a insegurança entre os seus servidores, humilhar os seus mais de dez mil educandos e ri de tudo que é direito e legal.
Se tudo isso for verdade, com a minha exoneração, algo de bom vai acontecer. Certamente o senhor Prefeito vai trazer uma equipe genial e todos os problemas serão resolvidos e eu vou entrar para história como o Secretário mais incompetente que Santo Amaro já teve.
Não se asfalta ruas, constrói casas populares com recursos da educação, não se economiza o dinheiro da educação ao contrário tudo deve ser investido nos professores(as) na rede física, não se corta direitos adquiridos, estes devem ser preservados e fortalecidos, não se administra com o olho no título de eleitor. Os servidores têm direito legal de liberdade política e intelectual. Não se pode ser administrador público sem doses generosas de humanidade.
Tudo isso foi desnecessário, foi maldoso e desumano, não comigo, mas para com os nossos professores e professoras e educandos, para a comunidade que já sofre tanto, para uma cidade que não suporta mais tantos desmandos acumulados em décadas.
Aos meus colegas de trabalho, servidores do magistério, aos pais e mães de alunos(as) eu peço desculpas pelo trabalho não feito, pelo desgaste desnecessário, pela forma vil na qual todos estão sendo tratados, pela tristeza que tomou conta da rede educacional de Santo Amaro.
A minha mãe e meus irmãos agradeço pela solidariedade. Sei da confiança que vocês têm em mim. Aos meus amigos de anos, fica sempre e para sempre nossos encontros e sonhos de um dia neste lugar, no qual vivemos, termos liberdade e justiça. Começaremos tudo de novo até um dia acertarmos, nada de desanimo, nada de cansaço.
Ao povo dessa cidade força, reação, vida sempre.
Ediney Santana                                
Santo Amaro dia 08 de março de 2009, dia internacional da mulher,
 “A ignorância mais refinada é a ignorância da própria ignorância.
Geralmente suspeitamos dos demais o que sentimos em nós.”

Santo Agostinho, ano de 370




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