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A pátria educadora

Se o problema da educação fosse resolvido apenas com construções de prédios escolares o Brasil seria hoje uma potência educacional e não um fracasso absoluto como é. Quando ACM mandava (não governava) na Bahia mandou construir um monte de monstrengos que eram chamados de “Colégio Modelo”. O estado não tem o direito de escolher o que vai ser modelo ou referência, tudo no estado dever ser modelo e referência.
A educação no Brasil não passa das construções vaziais de semântica educacional que servem apenas para enganar os olhos dos tolos, consumistas do fútil e descartável, não percebem o que de importância mesmo deveria enxergar. A educação pública brasileira e parte considerável da particular são feitas de cimento e mediocridade pedagógica.
Desafio políticos e gestores da educação pública colocarem seus filhos nas escolas que eles chamam de “qualidade”, longe disso, o que é luxo para seu filho e lixo para os filhos dessa gente, nem os professores da rede pública colocam seus filhos nas escolas que eles trabalham, quanto mais políticos e gestores que sabedores o quanto qualquer traço de beleza encanta , adoça , faz fiel serviçal o povo.
Em qualquer lugar do país, em qualquer cidade ou estado nossa educação é um lixo, não importa se seu filho estude em uma escola que parece um parque de diversões, ainda assim será um lixo. Não acredita? Vamos ler alguns dados oficiais, ou seja, do próprio governo federal: 6,2 milhões de estudantes fizeram em 2014 o ENEM, (Enxame Nacional do Ensino Médio) desse total apenas 250 estudantes tiraram a nota máxima. O ENEM foi um triste festival de provas em branco, textos racistas ou xenófobos. Radiografia da nossa decadência. O ENEM expôs de maneira inquestionável o flagelo do ensino no país.
Vamos agora comparar o Brasil com outros países. O Programa Internacional de Avaliação de Alunos (Pisa) avaliou alunos de 65 países (A avaliação ocorre de três em três anos), o Brasil ficou em 58ª em matemática e em ciências e leitura 59ª. Essa avaliação é feita com alunos de 15 anos, no total apenas 1,8% dos nossos alunos foram bem na avaliação.
Agora vamos falar de violência. No Brasil 70% das mortes são por armas de fogo, ou seja, 70% das pessoas que morrem em um ano no país são assassinadas, a Bahia o estado brasileiro em que a os índices de assassinatos não param de crescer, segundo a ONU a violência no Brasil está fora de controle. Segundo o IPEA na Bahia a taxa de homicídios aumentos 399,5% em dez anos (2000-2010) e não parou mais de crescer.
Ainda há pessoa que pedem a pena de morte no Brasil, só se for para oficializar o que já acontece na prática, porque o maior assassino do país é o Estado brasileiro quando não faz as reformas necessárias na educação, saúde e em todo sistema jurídico. O Estado é permissivo com tudo que não presta.
Em Brasília foram retirados módulos policiais das ruas e sabe o motivo? A bandidagem tava queimando todos, em dois anos 500 policiais foram assassinados no país, o ano passado mais de 2 mil pessoas foram mortas pela polícia, então pergunto você: se a polícia mata tanto, se morre tanta gente por que a violência só aumenta? Resposta porque a única política de segurança pública do nosso governo é a própria violência ou em outras palavras “salve-se quem puder”, o Estado ta pouco se lixando para sua vida.
O que será do Brasil com uma geração inteira de analfabetos, todos com certificado de conclusão do ensino médio e alguns até com diploma de curso superior nas mãos? A iniciativa privada execra quem não tem competência, no serviço público é cada menor os postos de trabalho e é cada vez maior a concorrência dos cursos, então me diz o que vai acontecer com essa geração? O que falarmos de um país que cruza os braços diante uma matança generalizada, que mesmo diante toda a evidência que estamos sucumbindo à violência nada faz de concreto para enfrentar os males dessa doença que caminha para ser crônica?
Solução? Para essa geração as chances são mínimas. Para muitos especialistas em educação o problema reside na má formação e remuneração de professores, mas eu coloco aqui outro ingrediente que é o pior de todos: a ingerência política destro das nossas escolas e órgãos coordenadores e gerenciadores da educação. Tudo de ruim que acontece na nossa educação parte dessa ingerência política que olha para uma escola como um cofre particular que ora se pode pegar dinheiro ora se pode trocar por apoio político.
A desestruturação da educação é política, cortar a capacidade das pessoas de refletirem sobre sua real condição e serve-se para todas elas a ladainha de governos medíocres e predadores. O mesmo acontece com a segurança pública, o povo aplaude quando a polícia mata ladrões de galinha, mas não percebe que esse mesmo sistema protege quem rouba vinte bilhões de uma empresa pública, acaba-se aceitando chegar a um hospital público e morrer não pela doença, mas pela falta de médico, se aceita marcar um consulta para só daqui a três meses como se isso fosse normal, não percebe o quanto educação que oferecem aos seus filhos é para castrar, mutilar ou cegar para que nunca ele erga a cabeça e se nada disso resolver a violência vai resolver, se a violência não resolver a falta de assistência médica vai resolver.
É um trio macabro usado pelo governo: educação ruim, ausência de atendimento médico e violência controlada pelo próprio estado.
Não é uma questão de partido político é uma questão de sistema, o sistema é podre, para mudar o sistema só o conjunto das forças da sociedade fazer a diferença, isso quando a própria sociedade também não é pobre.

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