Cartas Chilenas

Para mim os três mais corajosos escritores da Brasil colônia foram: Tomás Antonio Gonzaga, Padre Antônio Vieira e Gregório de Mattos. Não por acaso o Padre quase foi torrado na fogueira da inquisição e os dois poetas foram exilados. A questão aqui não é só ter coragem para escrever contra moral, costumes ou política da época em que se vive, mas também de talento, são três grandes personalidades literárias.
Tomás Antonio Gonzaga pertence a uma geração de grandes poetas, fez parta de um período literário conhecido como Arcadismo, além disso, fez parte do grupo idealizador da Inconfidência Mineira, curiosamente quase todos que participaram da Inconfidência eram poetas.
“Cartas Chilenas” certamente é o livro de poemas (em termo social e político) mais corajoso da literatura brasileira, mesmo tendo sido publicado com pseudônimo não diminui em nada a coragem do seu autor: Tomás Antonio Gonzaga.
“Cartas Chilenas” é formado por treze cartas, foram publicadas em 1789 e traz sátiras, denúncias  e provocações agudas contra o governador de Minas Gerais Luis da Cunha Meneses, no poema aparece com o nome de  Fanfarrão Minésio. Segundo o texto o Fanfarrão é um canalha diplomado na arte dos trambiques e falcatruas.
Fanfarrão Minésio se comparado aos abutres de hoje não passa de uma caricatura. A canalhice evoluiu muito, deixou de ser grosseira, agora é requintada e veste as roupas que convém o momento, nesta roupa nunca o Brasil entra na pauta.
Tomás Antonio Gonzaga é dono de uma escrita visceral e contundente permeada pelo humor e sátiras, alterna momentos de desconstrução da imagem do Fanfarrão Minésio e de puro sarcasmo, expões os absurdos do governo ao mesmo tempo em que o ridiculariza. Era o Brasil do império ainda não havia se criado a lei Lei Rouanet vulgo do “cala a boca artista”. Mas certamente o Tomás Antonio Gonzaga não aceitaria essa “ajuda de custo ideológica” para publicar suas obras.



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