Escola sem partido

A escola sempre foi e sempre será ideológica. Acreditar que uma lei vai tornar a escola um mundo a parte das coisas que acontecem para além dos seus muros se não for má fé para substituir uma ideologia por outra é inocência mesmo.
A escola sempre reproduziu pensamentos políticos e sempre vai ser assim, leis não tem força de barrar um pensamento, uma ideia. No lugar de tentar criar uma “Escola sem partido”, pode-se aproveitar o momento para confrontar, debater e contra argumentar ações partidárias que atuam nas escolas via professores militantes e não impor o método mais estúpido de combater qualquer coisa: a censura.
A questão é: como evitar a doutrinação partidária e ao mesmo tempo não interferir na formação política dos alunos, a escola deve sim abordar conteúdos políticos, o que é muito diferente da mesma escola ser partidária de uma ideologia política.
A questão da partidarização da educação é mais visível na Universidade, não raro a bibliografia usada, em especial nos cursos de humanas e licenciaturas, tem quase sempre orientação marxista, quando não deveria ser assim. Nos cursos de pós-graduação a bibliografia utilizada é quase sempre partidária.
É preciso sim, que a escola debata política, que os alunos discutam os temas centrais da nossa democracia sem a contaminação ideológica de esquerda ou de direita, para isso é preciso professores éticos, que tenham formação adequada e saibam deixar do lado de fora da escola suas preferências partidárias, é uma questão ética e não simplesmente de uma lei.
O projeto da “Escola sem partido” já nasce ele mesmo ideológico, não é isento do mal que quer combater. Não é preciso lei para livrar a escola da doutrinação política, já existem nas escolas os seus conselhos, Plano Pedagógico Político e tantos outros mecanismos que podem orientar e definir a gestão pedagógica dentro das salas de aulas.
Os deputados deveriam se debruçar sobre outras questões mais e muito mais complexas, como por exemplo, tentar entender e propor solução para o nosso fracasso no ENEM que atesta a falência dos nossos alunos na leitura e produção de texto. Diante o horror das notas do ENEM pouco importa se a doutrinação é de direita ou esquerda, no momento, infelizmente, nossa doutrinação é pela ignorância mesmo.
Ediney Santana
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