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Olhos cansados

Ediney Santana
Meus olhos baianos parecem cansados, olham borboletas, mas enxergam dragões de Komodo. O sectarismo somou todas ideologias e agora tem como única missão calar, silenciar a voz do outro. Existe uma fome maior que a fome de comida, é a fome de calar vozes, de fazer do mundo lugar de um único discurso. Não se grita contra o silêncio, grita-se a favor dele, não se quer extinguir preconceitos, deseja-se apenas tomar o lugar de agentes do preconceito, usam as mesmas armas dos carrascos para se tornarem carrascos também. Tempos de infinitos constrangimentos.
Meus olhos baianos parecem estáticos, cansados de olhar as coisas. O país é dissolvido em sucessivas cusparadas ácidas, desabam as estrelas da bandeira negociadas ao sangue sempre escravo que move a máquina triste do Estado.
Meus olhos baianos cansam as pálpebras, come a frio o velho pão dormido, requenta o leite e deseja anestésicos, meus olhos baianos tem sal nas pupilas. Enjoa esse cemitério de esperanças carregadoras de cadáveres, enjoa-me a facilidade com mentiras são santificadas.





  

  

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