Dias de acolhimento

Desenho: Ediney Santana
Há dias nos quais desejamos acolhimento, não por estranhos, mas por nós mesmos, paz com nossos espíritos e vibrarmos na alegria de nos reencontrarmos. Viver em litígio com quem somos é sempre ficar a um passo do mergulho na quebra da harmonia entre emoção e espírito e isso é sempre desastroso para nossas vidas.
Fernando Pessoa em “Poema em linha reta” nos traz um belo exemplo de como o desejo extremo pela perfeição pode arruinar nossas vidas, um mundo em que a vida pareça uma paisagem de cartão postal é irreal. Assumir falhas e buscar novos rumos é a trilha mais confiável para celebrarmos a vida de maneira leve e suave.
Redes sociais tornam-se tribunais de exceção e manipulação, pelas ruas uma simples troca de olhares pode acabar no necrotério, o Estado que deveria combater o crime parece dominado por ele, a intolerância é a pedagogia que ceifa vidas e promove a dor, a frieza das relações tem envenenado nossos horizontes.
O país parece ser a pátria dos justiceiros, da ponta de faca, intolerantes deliram e deitam suas verdades sobre falsas premissas. Diante tudo isso contemplar a si mesmo é mais interessante que contemplar as estrelas. Contemplar a si mesmo sem o egoísmo raivoso a nos correr corações e mentes.





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