Pular para o conteúdo principal

Meu amor

É preciso jogar no lixo tudo que for polarização. Tudo que é polarização tem como base o invisível acordo de alternância de poder sem que nunca nenhuma das partes deixe de fato o poder. Certo e errado, preto e branco, par ou impa, esquerda ou direita, bem e mal, tudo isso tem como razão de existir castrar alternativas, levam ao sectarismo e a demência ideológica, enquanto nas ruas pessoas se agridem, enquanto se permitem ao ódio os ideólogos disso tudo se fortalecem e vivem como reis sobre o império dos tolos.
Nada deve ser maior que o amor ao país e ao gênero humano. Tudo que separa, tudo que realça diferenças com o sentido de negar ao outro o direito ao viver, tudo que tem como base apontar erros  e nega-se a autocrítica é criminoso, perverso e braço forte da morte.
Não importa o viver solitário dos que procuram alternativa para polarização, importa é a convicção que ao fim muitos caminhos serão possíveis e preto e branco ganharão as cores de infinitas tonalidades.
Quem acredita que um partido ou uma instituição tem o poder de fazer qualquer pessoa melhor ou pior é um tolo ou um vencido pela ideologia da polarizadora. Entendo que não existem partidos de direita ou esquerda, existem partidos que desejam o poder, para se manter no poder todos metem, vão negar tudo que disseram quando fingiam inimigos do sistema, partido são o sistema, nunca foram contra, porque se não fossem assim, guardadas as mesmas estruturas que temos, nunca existiram de fato.
É preciso ir muito além do que nos apresentado, é preciso saber que não se vence nossas dificuldades dando abraços em quem nos mata no mais importante que temos: capacidade de amar, e capacidade de amar é o que nos faz ir além da vida vazia, de engolir sem mastigar, sem sentir o sabor das coisas.
A polarização odeia reflexões, a polarização é máquina da invisibilidade, a polarização cria instabilidade, a polarização é a morte da compaixão, sensibilidade.
Muitos se apresentam como novas alternativas, mas são frutos dessa sentença criminosa que é a polarização, se dizem a “pureza” da esquerda, “honestidade” da direita, mas são os mesmos carrascos vestidos de corações solidários.
É preciso somar os bons corações, mesmo que esses bons corações tenham mil visões diferentes de sociedade, e devem ter, só com mil visões diferentes encontraremos o caminho para um país fraterno e justo. Rejeitar toda visão sectarista, oportunista, mesquinha, todo discurso de ódio e intolerância, rejeita os que se recusam ao estudo, aos que estudam apenas os livros que o sistema indica, como aqueles cursos de pós-graduações em universidades tomadas por ideologias polarizadoras que indicam sempre a “bibliografia” da linha de pesquisa que eles obrigam os alunos estudarem.
É preciso formar especialistas livres, mestres livres, doutores livres e reconhece o saber cultural, político, religioso e artístico de milhares de pessoas que tiveram suas vozes caladas pela arrogância da polarização.
A mediocridade não deve ter espaço, o medíocre é o pior dos piores, é filtro azado que impede a água de correr, é o meio termo que ao ganhar poder parece ser o melhor caminho, mas é morte e castração, a mediocridade deve ser vencida e sepultada, meio termo com vida não nos serve para motivação social. Chega de repensar, agora é hora de pensar, não acumular lixo intelectual, ao sermos complacência coma mediocridade nos tornamos parceiros dela e pior condenamos tudo ao nosso redor ao inferno de uma vida medíocre.
É necessário nivelar por cima e não por baixo, a melhor rede de influência que você pode ter é uma educação sólida, concreta é ser capaz de ir além do que você acha que deve ser e pousar suas inquietações em bases intelectuais que vão muito além do achismo lugar comum. O maior orgulho que alguém pode ter não é ser negro, branco, índio, ariano ou qualquer definição estúpida, o maior orgulho que alguém pode ter é fazer parte do gênero humano e aos que acredita que há seres humanos que não fazem parte desse gênero o rigor da lei.
A polarização quer nos fazer crer que fazemos parte de culturas diferentes, povos diferentes, raças diferentes,a polarização quer nos destituir da alegria de sermos gente, da alegria de sermos parte desse mundo maravilho que é termos ciência do ontem, hoje e amanhã.
A polarização nos separou em classes, fomentou o preconceito social, condenou milhões a morte e a escuridão social, a polarização castrou caminhos, fez você acreditar que alguém é importante tão somente pelo que esse alguém tem ou representa, a polarização fez você acreditar que poderia comprar amor e ser amado tão somente pelo poder que você representa, a polarização colocou nossa humanidade em último plano.
Amar em liberdade, sentir em liberdade, ser livre e viver apaixonadamente todas as causas humanas, ter com a natureza uma relação de solidariedade, saber-se capaz de amar sem nada esperar, não sentir o peso da solidão, ser capaz de um diálogo fraterno com a solidão, saber que como escreveu Raul Seixas: “De que o mel é doce é coisa que eu me nego a afirmar, mas que parece doce eu afirmo plenamente”. Alegria sincera sempre!


    


Postagens mais visitadas deste blog

"A felicidade é uma arma quente”

Eu que nunca saio do meu lugar exílio, imagino como o mundo deve ser lindo. Estou tão fantasma em Santo Amaro que me considero um prisioneiro condenado a devorar-me sem piedade e pouco a pouco ir morrendo de tantas angústias que não há sol a iluminar tanta escuridão.
Você descobre que está ficando para trás quando todos da sua geração foram embora. Quando esses seus amigos voltam à cidade e você só fala com eles do passado é sinal também que a amizade já era, ficou presa em algum lugar desse mesmo passado. Nem eles e nem você cabem mais na vida um do outro.
Acostumar-se com migalhas de felicidade, com aparente segurança da rotina é um passo certo para pararmos no tempo, para voltado às pequenas coisas nos tornamos bobos de uma corte morta há tempos.
Torna-se um monumento não é bom, se isso acontece quer dizer que mesmo você estando vivo, todos vão considerá-lo morto. Tenho a impressão que a natureza só mata alguém quando esse alguém já não interfere nem para o bem nem para o mal na vida…

Carta para daqui a 50 anos

Hoje é sábado, 29 de junho de 2013, São Pedro, últimos dos santos juninos, aqui perto em São Francisco, vai ter show “grátis” do Chiclete com Banana, claro que não vou, tem gente em excesso de suposta felicidade e acho um saco tanta gente feliz junta por quase nada, não que eu seja triste, mas a minha felicidade repousa na linha do horizonte, não se resume a uma multidão insana pulando e gritando: “chicle...tê!!!! Em 2063, o maior plano é tá vivo, curtindo minha velhice e ouvindo as histórias da minha filha, ler essa carta nem que seja com uma lupa daquelas de Sherlock Holmes, talvez olhe para uma foto minha de hoje e diga: elementar, meu caro, tudo no fim deu certo. Não pense, eu de hoje, que meu sonho é só envelhecer, há o recheio, como de um sanduíche que comi certa vez e daria para alimentar um uma fila inteirinha de pau de arara, pau de arara eram caminhões que certamente devem ter levado muita gente minha para São Paulo, gente que por lá trabalhou duro e morreu da mais profunda…

Como é viver com ódio?

A internet parece ter sido transformada na vitrine do ódio. Sempre encontro bons vídeos e sites na internet com conteúdo interessante e instrutivo, mas esses sites e vídeos têm baixíssimas visualizações, por outro lado sites e vídeos com conteúdo de ódio ou violência têm milhares de acessos. Canais de políticos que não tem nada de proativo ou ideias criativas e práticas, mas explodem de ódio batem recordes de seguidores que expõe ódio, violência verbal e ameaças.   Parece ser um estado permanente de ódio, seja religioso, sexual, político ou cultural, nada escapa ao ódio. Algumas manifestações de ódio são abertas ou diretas, outras são disfarçadas de altruístas, mas todas têm como objetivo neutralizar qualquer voz dissonante dos que esses furiosos ambidestros pretendem. No mundo da violência emocional odeia-se por um único motivo: não há no mundo espaço para concepções socais diferentes das quais a ambidestra cavaleira do ódio defende.   O ódio emburrece, torna bruto corações e mentes…