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Aylan Kurdi

Irmano-me com a dor da tragédia causada pela imigração na Europa, doeu-me olhar a foto do garotinho Aylan Kurdi morto na praia como se estivesse no seu berço dormindo, é uma dor dilacerante saber que nossa espécie caminha a passos largos para o fim, mas também me questiono porque algumas mortes parecem nos chocar mais que outras, fico imaginando se esse garotinho fosse negro se causaria a mesma comoção. Tragicamente creio que não, no continente africano um grupo de assassinos tem matado milhares de pessoas, a maioria delas crianças, meninas são vendidas como escravas sexuais e isso não comove o mundo ou chama a atenção das autoridades globais.
 Há poucos dias um barco cheio de crianças e adultos muçulmanos negros ficou a deriva no mar, pessoas morrendo de fome e sede, o mundo não se mostrou comovido. Há poucos meses um assassino matou pessoas negras em uma igreja nos Estados Unidos, não casou comoção mundial, quando assassinos mataram aqueles jornalistas na França aqui em Brasília pessoas organizaram uma passeata em solidariedade, pelo face-book milhares de pessoas mostram-se comovidas, ao mesmo tempo 400 meninas eram sequestradas na áfrica por um grupo de assassinos, isso não casou comoção, mesmo com a primeira dama estadunidense, Michelle Obama, chamando atenção para o fato, poucas pessoas se mostram comovidas.
No Brasil estudos provam que crianças  e adolescentes negros correm risco de morte muito mais elevado que pessoas brancas da mesma idade, todos os anos milhares de crianças e adolescentes negros são mortos, isso não causa comoção. Não sou militante do movimento negro, não sou militante de movimento social algum, mas é preciso questionar como enxergamos e sentimos as coisas.
Aqui no Brasil muitas pessoas que compartilharam a foto do garotinho morto seriam incapazes de estenderam suas mãos para afagar um garotinho negro da mesma idade, aqui no Brasil cresce assustadoramente movimentos xenófobos, perigosas pessoas que logo logo não ficarão só em ameaças virtuais.Não pense que estou falando de revanchismo emocional ou político, nada disso, pensar assim me faria perder a condição humana, me faria uma coisa. O que falo é dos preconceitos sociais- políticos que escolhe quem tem direito a comoção e quem embora vivo fosse como se nunca tivesse existido, esse estado emocional político levar erroneamente a crer que algumas pessoas nasceram para sofrer e isso é natural, enquanto outras quando sofrem é algo injusto, desumano. Somos parte da mesma natureza, somos todos seres da dor e prazer.
Se escolhemos por quem devemos chorar é sinal que estamos perdendo nossa capacidade de sentir, de nos permitirmos humanos. Vida é vida, se só me comovo quando morre alguém parecido comigo ou da minha classe social é porque há muito perdi o sentido real do que é fazer parte do gênero humano, estamos em rota de colisão com nós mesmos, nossa humanidade navega sem rumo, logo todos nós morremos na praia da estupidez.
Estou triste pelo garotinho, por sua morte e tragédia que ela representa, mas sinto também a dor de todas as crianças, de qualquer país, de qualquer cor, religião ou classe social.
Não se pode ter compaixão por algum e desprezar outro que padece das mesmas dores, das mesmas misérias.  A raça humana é bela, mas certamente é a mais perigosa que há, não é só uma questão de formação educacional, conheço muitas pessoas com ótima formação acadêmica, mas creio, que sem saber defendem e apoiam ideias fascistas, pessoas cultas que se lessem o livro de Hitler talvez ficassem chocadas ao saberem o quanto elas e o “monstro nazista” têm pensamentos em comum.
A sociedade pode nos  dividiu em classes, mas somos do mesmo gênero humano, pode-se ter a ilusão que somos diferentes e isso é tão somente ilusão criada pela soberba, pelo economia , pela cultura  e principalmente pela política , no entanto dia menos dia todos descobrem o quanto somos um parte do outro, às vezes isso acontece da maneira mais cruel e dolorosa.
É triste saber o quanto esse sentir midiático tabelado, fascista, podre e sem razão vai afogar mais e mais crianças, matar nossas esperanças de um mundo melhor, fuzilar nossa alegria de pertencermos à raça humana, afinal é única raça a qual pertencemos. Tristemente presenciamos essa tragédia: saber que há pessoas que merecem lágrimas, comoção e outras não.
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