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O primeiro amor é amarmos a nós mesmos

Não responsabilizo pessoa alguma pelo espelho quebrado no qual me olho, a tendência de responsabilizar alguém pela queda que foi projetada por nós mesmos é uma rota de fuga trágica. Trágica porque não se coloca nos ombros de outra pessoa o peso dos nossos dissabores como se isso nos isentasse dos enganos cultivados por nós mesmos, nos isentasse também da ilusão de que o outro será sempre um porto seguro. O único caminho diante a constatação que não só o rei está nu, mas nós também é a autocrítica, mudar de rota, mesmo que isso signifique o encontro agudo com a dor que tentamos transferir para outra pessoa.
Se aceito que eu sou o responsável pelo que fiz de mim, logo me sinto mais seguro para caminhar sem muletas existências, sou eu o que atira pedras no meu espelho, sou eu o que corta a própria carne com navalha e aquele caminho escuro que andei por tanto tempo, aquela fome e humilhação, tudo foi eu mesmo quem quis, no meu tribunal não há outro réu que não eu e a única sentença possível é somar tudo isso e reciclar os caminhos, os novos caminhos.
Não existem heróis e bandidos que sejam responsáveis pelas nossas escolhas, quem projeta para outro o próprio destino ou quem necessita de lideres padece de covardia emocional, quer antes de tudo um álibi para qualquer imprevisto que aconteça. Eu sou minhas emoções, eu sou meu alegre ou triste viver, não espero pelo abraço ou negação de outra pessoa, eu me abraço e me nego, quando entendo que sou o único responsável pela minha felicidade não coleciono dores e nem culpo pessoa alguma por qualquer dor que sinta.
É preciso me aceita, saber que tudo que sou é temporário, não há outro caminho, ou me aceito ou caminho para o fim da vida. É uma vigilância constante não culpar pessoa alguma por nada que comigo de errado aconteça, sabendo que sou o único responsável pelas minhas dores ou alegrias me faço senhor aberto para conviver em paz com qualquer pessoa.
Claro que ao dizer que sou responsável pela minha alegria e dor não quer dizer que dispense o prazer da compartilhar com alguém minha vida, longe disso, quer dizer tão somente que se eu tiver algum prazer de conviver com alguém, o primeiro prazer deve ser com minha própria companhia, nada é mais envolvente que esse prazer sincero de ter comigo a alegria de me amar.
Só posso viver bem com outra pessoa se vivo bem comigo. Se aceitar humilhações, desrespeito é porque tenho por mim mesmo desrespeito e falta de consideração, tudo que aceitamos passivamente de outra pessoa, seja bem ou mal é porque de alguma maneira aceitamos a mesma coisa de nós mesmo, se algum nos fere e aceitamos ficar perto dessa pessoa é porque nossa carne e espírito já se acostumaram a ser ferido por eles mesmos, se alguém me ama, esse amor só será bem vindo se antes de tudo eu me amar, me sinta bem com minha própria companhia, só se sente solitário quem vive em litígio consigo mesmo.



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