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J. Feliz

Esse era o J. Feliz. Nos anos de 1980 festejou até cair bêbado o fim da ditadura civil- militar e a eleição de um tal de Tancredo Neves, que nunca foi presidente,porque adoeceu e morreu antes de tomar posse, mas todo mundo chama de presidente, teve até gente que carregou cruz nas costas pela saúde do "homem", mas não teve jeito, morreu. No seu lugar ficou o vice que não era vice porque também não tomou posse, José Sarney, J. Feliz festejou, era o poeta-presidente contra o monstro malvado da inflação, o Sarney convocou o povo para fazer parte do seu exército contra a inflação, como se o coitado do povo pudesse alguma coisa contra o mercado e seus capitais, mas o povo aceitou e lá foi J. Feliz ser fiscal do Sarney. Não deu certo, faltou comida, leite. Ninguém mais sabia o quanto valia o que se tinha no bolso, o dinheiro perdia o valor rapidamente.
Muita gente pegou o avião e foi para os Estados Unidos, era melhor ser limpador de carros lá ganhando em dólar que passar fome por aqui. J. Feliz ficou no Brasil, tinha esperança que tudo iria melhorar.
Nova eleição, agora era o presidente bonitão que deixava os úteros em fúria contra o sapo barbudo doido para ser transformado em príncipe. Collor e Lula. J. Feliz não teve dúvidas, voltou no Collor, Collor era a cara nova que o Brasil precisava, o cara era caçador de “Marajá”, quer dizer de quem ganhava muito sem trabalhar para isso, além de tudo pilotava até caça da Força Aérea.
Collor venceu Lula e J. Feliz caiu bêbado na comemoração, tudo seria diferente, até que um dia na TV, a ministra da fazenda apareceu explicando um plano infalível para acabar com a inflação: congelar, sequestrar a caderneta de poupança de todo mundo. J. Feliz caiu bêbado, só que desta vez de desespero, estava juntando uns trocados para comprar uma casinha e do dia para noite se viu sem grana alguma.
O povo ficou puto com Collor, logo começaram a aparecer denúncias contra ele, o sapo barbudo do Lula foi para ruas, jornais e tudo que era canto pedir o afastamento do presidente, o povo começou a ouvir falar na TV uma palavra estranha “Impeachment” e adorou o que ela queria dizer, Lula disse que nunca deveríamos esquecer essa palavra e Collor renunciou com medo de perder os direitos políticos, sabia que um dia o povo voltava nele novamente, mas mesmo assim o circo no Congresso tava armado, Collor sofreu “Impeachment” que não era “Impeachment”. J. Feliz que havia vestido preto para protestar contra Collor era só alegria.
No Lugar de Collor ficou o vice, Itamar Franco, meio mineiro, meio baiano, um cara gente boa, calmo e sereno, parecia uma caricatura de político, mas não um político, ao menos como o povo tava acostumado, Itamar criou um plano para acabar com a inflação, chamou de plano Real, seu ministro da Fazenda, o senador Fernando Henrique Cardoso, foi o responsável por colocar em prática aquele plano que todo mundo desconfiou, Lula disse que o Plano Real já nascia na UTI, J. Feliz resolveu esperar para crer.
O Plano Real deu tão certo que Fernando Henrique Cardoso venceu as eleições para presidente, não só uma, mas duas vezes, derrotando o invejoso do Lula que praguejava contra o plano Real e contra os programas sociais criados por FHC, como ficou conhecido o presidente, Lula disse que o Bolsa Escola era compra de votos.
J. Feliz comemorou a primeira vitória de FHC, mas não a segunda, era servidor público e FHC vendeu a empresa que ele trabalhava, ficou sem emprego e pela primeira vez pensou em ir embora para os Estados Unidos, quem sabe poderia trabalhar em uma lanchonete ou limpar sapatos por lá, mas não foi.
Quando FHC apresentou seu candidato a presidente J. Feliz deu um pulo do sofá e gritou: Não!!!! Resolveu apoiar Lula, que agora era toda elegância, falava manso e se dizia maduro para governar o Brasil. J. Feliz comprou uma bandeira do PT e foi para as ruas, gritando o nome de Lula, menos de dois anos de governo, Lula já tava envolvido em escândalos, J. Feliz repetia para si mesmo o que o partido dizia: Tudo culpa da burguesia. Lula mudou o nome do Bolsa Escola para Bolsa Família e disse que foi ele o criador do que antes chamava de compra de votos.
Voltou em Lula pela segunda vez e voltou em Dilma, uma desconhecida que Lula fez ministra e claro presidente. J. Feliz dizia que o Brasil mostrava ao mundo como o que era ser grande. J. Feliz vivia agora de sua banca de verduras na feira livre, viu pela TV Dilma ser eleita pela segunda vez, havia rumores de desvios de dinheiro e muitos outros crimes cometidos pelo governo. A oposição pedia o “Impeachment”de Dilma, Lula que nunca deixou de ser presidente, dizia que “Impeachment” era golpe, repetia isso sem trégua, J. Feliz repetia também: “golpe”, “golpe”.
O ganhava com sua que banquinha na feira dava apenas para comprar comida para mulher e filho, comia dia sim dia não, a crise tava devorando a economia, J. Feliz já não sentia nada, não era feliz ou triste, sentou no banco da praça e lá ficou, enquanto a sua presidente querida fazia regime, ele perdia peso pela fome, quem passa fome perde não só peso, mas a capacidade de sentir, perde a vergonha, perde a alegria, medo ou coragem, enfim... Morre.

                

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