Sonhos Olímpicos

Esportes nunca estiveram na minha lista de prioridades, nem mesmo como torcedor fui ou sou lá de grandes entusiasmos. Descobri tardiamente que gosto das Olimpíadas de Inverno, talvez mais pela beleza plástica dos jogos do que pelos jogos em si, nunca joguei futebol ou fui a um estádio torcer por algum time, nada contra, nada a favor, apenas não fui comovido pela ideia de ser torcedor ou praticar algum esporte, depois que mudei para Brasília descobri o prazer de andar pelos parques e bosques, esse talvez seja afinal, o meu esporte.
Estava ouvindo na rádio do Senado Federal um programa de entrevistas que gosto muito, “Autores e Livros”, quando a entrevistada começa a contar histórias surpreendentes sobre vários atletas em muitas das edições dos Jogos Olímpicos. Cada história era uma emoção e revelação diferente, contagiante, arrebatadora. A autora? Clara Arreguy, o livro? “Sonhos Olímpicos”. Pela primeira vez ouvia alguém falar de esporte de uma maneira que me despertava.
A razão por trás do impacto daquela entrevista é que a autora revelava histórias para além das conquistas e derrotas, contava de maneira objetiva os altos e baixos  de pessoas comuns, como eu ou você e não super humanos como geralmente atletas são apresentados.
“Sonhos Olímpicos” tem apenas 64 páginas e nestas poucas páginas a autora narra de maneira cativante a vida de homens e mulheres, nos apresenta uma radiografia da política, cultura, economia, nos conta através de cada edição dos Jogos Olímpicos como os padrões, as certezas, a maneira de como nos enxergamos como pessoas mudavam de maneira surpreendentes.
Feche os olhos e imagine: Em uma Olimpíada, indígenas e pigmeus apresentados como animais nos zoológico? Imagine: a primeira mulher negra a ganhar uma medalha e de ouro, a mesma mulher negra  ser a primeira a estrelar um comercial da Coca-Cola só podendo senta-se em lugares reservados para negros nos Estados Unidos? Imagine então: um homem negro em 1956, brasileiro, medalhista olímpico e diplomata, advogado, professor, ator, militar, escultor e que falava cinco idiomas? Você já ouviu falar dele?
Imagine: uma Olimpíada na qual as mulheres tinham que provar que eram mulheres para participarem dos jogos, mais absurdo que isso? Eram feitos testes para averiguar as genitálias das mulheres, não satisfeitos inventaram um teste fajuto de contagem de cromossomos e se contasse que uma atleta não passou no teste dos tais cromossomos e essa mesma mulher um ano depois teve um filho e a confederação esportiva disse que ela era uma aberração da natureza?
É essa ventura que o livro de Clara Arreguy nos convida, aventura pela história através de tantos atletas que ao fim foram todos vencedores. O livro “Sonhos Olímpicos” mistura ficção com realidade, cada um de nós em menor ou maior grau pode se sentir ao término do livro, um campeão Olímpico, desse que encontramos nas ruas, anônimos, cada um com sua história para contar, com suas derrotas e conquistas e todos  são essências para contar a história da humanidade, a nossa humanidade, se boa ou ruim é a única que temos.
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