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Carência social

Tenho a sensação de que muitas pessoas empunham bandeiras não por necessariamente defende-las, mas por carência social, a necessidade de serem notadas, que alguém preste atenção e diga: você existe. Vejo isso nessas pessoas que supostamente lutam contra a corrupção no país, por trás de toda gritaria há o velado desejo de se tornarem celebridades. Li uma matéria sobre mulheres feministas, todas pousaram para fotos como se tivessem com ódio do mundo, em seus discursos frases feitas cheias de ódio e loucas para chamar atenção, no fundo a causa vale menos que a militância.
Esses dias no facebook um homem negro e militante do movimento negro disse que a atriz Taís Araújo era “negra de elite” e por isso o preconceito que ela sofreu nas redes sociais não era o mesmo que a maioria dos negros sofrem, completou dizendo que “negros da elite” agem de maneira subjetiva quando são vítimas de racismo, quando um homem branco questionou essa posição absurda foi chamado de “raça duvidosa”. Esse comportamento tem várias nuanças, da estupidez ao preconceito, da falta de caráter a imbecilidade, mas por trás existe a vontade de polemizar, criar um fato que chame atenção para si, o desespero para deixar de ser um anônimo.
A carência social leva a intolerância, ao desespero de chamar atenção, como o amor anda em baixa, o ódio é o aliado dessa gente. Não há como achar normal alguém que se diz ser a favor da paz atirar bombas sobre nossas cabeças, alguém que se diz a favor da democracia tentar calar nossa voz. A carência social é veneno a segar até corações bem intencionados, a carência social é o drama dessa nossa época, gente delirante desejando poder, poder temperado com ódio e intolerância. Em uma canção da Legião Urbana, Renato Russo canta: “E tudo aquilo contra o que sempre lutam/ é exatamente tudo aquilo que eles são”. Esse é o resumo da carência social: são exatamente aquilo que dizem lutar contra.

                                                                                        


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