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Mostrando postagens de Outubro 15, 2015

“O último a sair apaga a luz do aeroporto”*

Durante a ditadura militar não tivemos no Brasil canções de protesto, mas de fuga, embora muitas dessas canções tivessem beleza poética, eram canções medrosas, de fuga. Geraldo Vandré escreveu em “Para não dizer que não falei das flores”: “Vem vamos embora/ espera não é saber/ quem sabe fazer a hora/ não espera acontecer”. Em “Canção da despedida” Geraldo Vandré e Geraldo Azevedo escreveram uma das mais belas canções de fuga e não menos alienada da nossa música popular: “Já vou embora/ mas sei que vou voltar/ amor não chora/ se eu volto é prá ficar”. Chico Buarque também foi autor de canções de fuga, em “Apesar de você” ele canta: “ Apesar de você amanhã há de ser outro dia”, pura fuga e não de enfrentamento. Chico Buarque também escreveu com Gilberto Gil a bela “Cálice”: Pai! Afasta de mim esse cálice / Pai! Afasta de mim esse cálice / Pai! Afasta de mim esse cálice / De vinho tinto de sangue”. Aqui os autores da canção transferem para outra pessoa (o Pai) a responsabilidade de mudar …