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Não estou em guerra

Foto Sérgio Damião
Não há sintoma mais triste da depressão que tomou conta da nossa sociedade que o medo do outro. Sentir medo de pessoas joga ao chão a própria ideia de civilização, sentir medo de andar pelas ruas nos faz reféns dessa profunda angústia social, há um labirinto triste e de branco intenso a nos ofuscar a razão e alegria em viver com outras pessoas o que de melhor temos.
Não é possível viver sem convivência, sem pontes que nos liguem a outras pessoas, sozinhos não temos significados, outras pessoas nos dão razão de vida e nos damos também razões as suas vidas, vivemos em um sistema de dependência social e ao negar isso corremos riscos de morte, primeiro morreremos socialmente, depois biologicamente.
Gosto de sentir comigo a alegria de em outra pessoa ser coração solidário, não se busca em outra pessoa viver sem o contraditório das relações, longe disse, é preciso contraste, diferenças, mas isso não é o mesmo que uma relação pautada na selvageria verbal, no ódio, na sensação minima de civilidade.
Desejo viver entre pessoas, mas também tenho o direito de querer longe de mim pessoas amargas, gente covarde, gente ego e eco, gente soberba, gente sem animo para ser silêncio e menos verborragia, gente receita e documento em cartório.
Asperezas não me interessam, desisto de tudo que for ódio, soberba, não quero saber de nada que não me leve ao estado de leveza, quero abraço quente e cervejas geladas, eu sou a medida da paz, se o outro é guerra não me interessa, meu coração não é direita ou esquerda, meu coração é gentileza e paraíso, meu coração é a guerra, meu coração quer amor.
Não há possibilidade de vivermos em um mundo sem pontes, ando em busca de outras pessoas, porque é sendo parte de outras pessoas que encontram o melhor que é ser eu.
        


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