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A triste e efêmera vida de um “poste”

Chamamos de “poste” aquela pessoa que não tem brilho próprio, que sua luz depende de outra pessoa. No passado não muito distante era comum até os cachorros dos políticos assumirem cargos, crime conhecido como nepotismo, disfarçado muitas vezes pela palavra “padrinho político”. O poste é alguém sem voz própria, algo menor que um papagaio, já que o papagaio não tem consciência do que repete, por isso mesmo não pode ser considerado um “poste” falante. O nepotismo não terminou, foi reinventado, na seara do crime político há o nepotismo cruzado, um cretino nomeia alguém que outro cretino pediu e assim vão se nomeando. A razão de existir do “poste” é manter sobre total controle o poder político de quem o criou, de quem o fez existir, raramente um “poste” tem coragem para deixar de ser o que é, antes da sua guinada ao poder que não lhe pertence ele é bem amarrado, amordaçado. Um “poste” sabe da sua condição, olha-se no espelho não enxerga a si mesmo, não tem coragem de dizer o que pensa, um “poste” nega sua humanidade, é um ser estômago, um ser vazio de substância humana, um “poste” só é aceito pelos outros por quem ele representa, um “poste” é como uma barata, se morto não faz falta, se vivo é peça de reposição, um “poste” é a leitura errada da sociedade, “um poste” não precisa ter talento, capacidade técnica, condições intelectuais, um “poste” só precisa repetir o que lhe mandem repetir.
Um “poste” representa o atraso, é vassalagem, o jogo de interesse, o “poste” adora frases feitas que não trazem nada de concreto, um “poste” é perigoso porque representa e exerce o pequeno poder, porque aceita ser bajulado por seus subordinados, um “poste” não tem assessores ou colaboradores, um “poste” tem bajuladores, gente escrota, gente sub-poste, gente que teria coragem de matar e depois ir à missa de corpo presente.
Um “poste” pode ser muito perigoso, uma vez no poder fará de tudo para nele permanecer, o “poste” não cultiva bons sentimentos, um “poste” pode ser a desgraça na vida de qualquer um que ele julgue ser perigoso a sua existência de “poste”. O “poste” é Darth Vader, o sistema, o mal por essência, assim como Darth Vader, o “poste” vai se transformando lentamente, não percebe ao fim no que se transformou, o “poste” não trepa, não ama, não se masturba, não teme a deus ou diabo, o “poste” é só uma coisa, um amontoado de células ruins, “o poste” é a voz sombria do sistema, ataca mesmo não sendo atacado, mata não para se defender, mas para impor medo, o “poste” é o ritual macabro que a tudo devora, o “poste” parece bom, mas é mal, o coração de um “poste” é o lado obscuro da força.
Há algo pior que um “poste”? Sim, a coisas piores que um “poste”: quem o nomeia, quem lhe deu poder, quem lhe emprestou luz e voz e quem o bajula. O bajulador é aquele “poste” menor”, intermediário, como sabe que não tem competência nem mesmo para ser um “poste” se contenta em verminar nas bases do sistema, tudo que o “poste” fala, ele aceita e incentiva, seu sorriso é contagiante, sua fala é suave, nunca entra em contradição, nunca é contra ao sistema, esse tipo de gente é aquele sorriso que a depender da situação morde, pisa e humilha, se contenta com migalhas, finge intimidade com o sistema.
Para ser “poste” não precisa de capacidade, de criatividade, de talento. O “poste” é a ruína de uma sociedade, a negação do conhecimento, a incapacidade travestida de autoridade, o “poste” é o lixo servido na mesa, o “poste” é o gosto ruim da comida azeda, é o gozo sem razão, o “poste” não sente saber de nada que come, um “poste” apenas obedece, segue, não tem liberdade intelectual, um poste é a verminação social. O “poste” é uma trágica instituição da política brasileira, é o resquício triste do Brasil império, é o afilhado do crime, é urubu da sociedade, o carniceiro.
O “poste” é nossa desgraça, é o que nos faz lembrar o quanto esse país ainda é dos conchavos, enquanto esse país ainda se permite ser gerenciado por gente escrota e canalha, o “poste” é nossa febre, nossa dor e nossa morte.


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