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Até que a morte nos separe

No setor privado isso não é muito comum, pessoas que se apegam aos cargos e só saem mortas e olhe lá, mas já no setor público há muita gente que atravessa décadas em cargos comissionados seja lá qual for o partido, essas pessoas tem a habilidade de se eternizarem como cactos pegajosos na teia do poder, alguns sobre o manto de “essenciais”, “faz um trabalho maravilhoso”, “única”, “se identifica com a coisa pública”, “imprescindível”, ou recorrem mesmo é às gambiarras políticas para continuarem vivendo, muito bem obrigado, nas costas dos contribuintes. Essas pessoas grudam de tal maneira na máquina pública que se tornam intocáveis, são sorrateiras, escorregadias, quando o padrinho político perde o poder é como se nunca tivessem tido o menor contato com ele, mudam de camisa e de passado como usamos papel higiênico no banheiro.
Algumas dessas pessoas “imprescindível” para o bem público quando morrem ainda são veladas nas repartições nas quais trabalhavam, ganham o título de “eterno diretor (a)” alguns até viram nomes de ruas, fóruns, hospitais, escolas ou faculdades sem nunca de fato terem contribuído com nada para o país, eram apenas extensões do poder momentâneo que representavam com alegria de vassalo e bizarrice de bobo da corte.
Há um fenômeno curioso no país governado pelo PT, nunca vi tanta gente se dizendo “socialista”, “militante de movimentos sócias”, “bravos defensores dos fracos e oprimidos”, nunca vi na história deste país tanta gente rica, burguesa chamando seus pares de “coxinha”, “elite branca”, “golpista”. Boa parte desses novos convertidos ao PT defendem as supostas bandeiras do partido porque ganham algo além de uma vaga no paraíso: têm cargos, empresas vivendo muito bem a indecência do capitalismo de Estado ou de alguma outra maneira colhem do Estado brasileiro governado pelo PT vantagens obscuras que nossa vã inocência não consegue imaginar, uma vez o PT fora do poder essa gente muda de lado, defendem qualquer bandeira para continuarem com suas vantagem, as vantagens deles são nossas desgraças.
O apego aos cargos escondem muitas coisas: incompetência (muitos no setor público não fariam carreira) disposição para viver à custa do povo e nada oferecer em troca a não ser a vassalagem aos poderosos de plantão, pequeno poder, falta de escrúpulos, necessidade de se manter em evidência e tantas outras coisas.
Não sou contra os cargos em comissão, eu mesmo já exerci, mas penso que cargos em comissão requer antes de tudo a certeza: quem o assume assume com a responsabilidade de servir e não ser servido, que nestes cargos não se faz carreira, se realiza tarefas, planeja-se, atinge-se metas e vai-se embora. O Brasil tem excesso de cargos comissionados, mais que na hora de uma redução drástica da União, estados e municípios desses cargos, o contribuinte não pode continuar pagando para incompetentes viverem no paraíso enquanto todos nós vivemos no inferno. Cargos em comissão são resumidos nesta pequena frase: sirvo meu país, mas nunca serei servido por ele.

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