Carnaval-2016

Ediney Santana- Foto Renata Madureira
Nada tenho contra o carnaval em si, gosto de festas, sobre tudo aquelas animadas com bandinhas de música, na Bahia chamamos de charangas, mas convenhamos, o carnaval 2016 parece mais uma festa fúnebre, ou aqueles filmes de terror no qual todo mundo morreu, mas não sabem disso. Pode-se dizer que o carnaval em 2016 vai realmente servir como catarse, que todo mundo sabe o quanto o país agoniza, é que coisas piores ainda virão pela frente, no entanto não acredito nisso, vivemos em um país de palermas que aceitam serem sangrados por governos e empresas e todo tipo de criminosos.
Bancos asfixiam seus correntistas com juros imorais tudo abençoado por um governo impotente, imoral e conivente, cartéis manipulam preços e sugam a renda do trabalhador, racismo e xenofobia racham socialmente o país, o crime organizado mata, escraviza, sequestra, rouba enquanto isso governos vivem como imperadores sentados sobre as misérias do povo.
Carnaval da mediocridade, marginalidade, da burrice, carnaval da estupidez, da cretinice, da falta de esperança, carnaval de idiotas, dos beijos em cadáveres, carnaval da falta de responsabilidade, da safadeza institucional, carnaval do roubo do dinheiro público, de artistas cretinos que vivem à custa do dinheiro público, do povo favelado que se permite descer os morros para empurrar carros alegóricos para gente que se passe por eles na rua segurariam as bolsas, gente sem amor próprio.
Esse carnaval pouco me interessa, espero pelo  dia no qual o país terá seu grande carnaval. Carnaval da educação pública de qualidade, carnaval da segurança, carnaval do respeito a todas as pessoas, carnaval do emprego, da não violência, da tolerância religiosa, carnaval da civilidade, carnaval sem o medo, sem a incerteza do futuro, carnaval do presente e sem essa busca infinita por um futuro de grandezas.
Espero para todos nós esse grande carnaval, que sejamos todos felizes,que nossas esperanças não acabem na quarta feira de cinzas, que sejamos abençoados por uma tomada de consciência cidadã de que a grande escola de samba tenha só  uma ala: a da cidadania e que o grande trio elétrico seja: justiça, educação e saúde.


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