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Umberto Eco

Certa vez procurando livros sobre metodologia do trabalho científico, encontrei um escrito por Umberto Eco, minha surpresa no livro ficou por conta da rotina de trabalhado dele, mesmo tão famoso, correndo o mundo entre seminários, congressos, palestras e lançamentos de livros, Umberto Eco trabalhava ainda como professor e orientador, e foi nisso, no seu trabalho como orientado o que mais chamou minha atenção. Ele orientava entre dez e vinte pessoas por ano nos cursos de doutorado, naquele momento lembrei da soberba e arrogância intelectual de muitos ( não todos) professores doutores e o desprezo com que lidavam com alunos graduandos, e até mesmo com colegas que não tinham a mesma titulação deles, coisa que até hoje observo, basta dizer que se tem um mestrado ou doutorado para que a pessoa muitas vezes sinta-se o inventor do conhecimento, mas algo também me chocava, encontrei muitas pessoas que diziam para mim “vou fazer pós”, eu perguntava: “especialização, mestrado o doutorado? Resposta: por enquanto só pós mesmo”. Dois lados das mazelas educacionais do Brasil.
Nas jornadas pedagógicas, se tem a impressão que professores são um bando de esfomeados ao atacarem as mesas com docinhos e outras quinquilharias gastronômicas servidas com desprezo social e político, mas tudo bonito aos olhos de quem já se acostumou ao mau gosto ou quando se permitem ao tratamento infantilizador recheado de frases de efeito sem sentido algum, ou quando são adestrados para ouvirem apenas o que querem ouvir, sem contradição, sem autocrítica, sem nada que afronte a ignorância de cada um, como se isso fosse um atentado a dignidade deles, não sabendo que o maior atentado a dignidade de um professor vem deles mesmo quando aceita ser tratado como um imbecil.
Os cursos de pós-graduação deveriam ser comuns, qualquer país que educação seja privilégio fica longe e muito longe de ser um país viável, a educação e cultura quando aliadas a soberba nunca nos leva a algum lugar bom, há muita soberba e arrogância no país, talvez seja a versão intelectual da violência física.    
Quando estudava letras entre o final dos anos de 1998 e começo dos anos 2000 Umberto Eco começava a ficar “popular” por causa do seu livro “O nome da rosa” e pela adaptação do mesmo livro para o cinema. “O nome da rosa” é um livro difícil, cheio de citações em latim, referências a obras e autores obscuros. Creio que Umberto Eco ficou surpreso como um livro como aquele tenha tido tanto sucesso. Não é um livro para leitores sem fôlego ou sem curiosidade intelectual. Os romances de Umberto Eco ela recheados de pesquisas, muita informação histórica, era o recuso que ele usava para compor as tramas, trazer saber aos enredos, ou seja, sua obra tem pouco de imaginação e muita transpiração. Sempre foi um prazer ler Umberto Eco, sejam seus livros ou suas maravilhosas entrevistas.


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