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Comovidas lembranças

Ediney Santana- Foto: Renata Madureira
Depois dos quarenta anos de idade parece que as emoções ficam mais a flor da pele, lembrar de algo, mesmo que seja um fato corriqueiro, pode nos deixar muito emocionados, a sensibilidade parece derramar pelos olhos, a alma parece vagar sem carne pelas ruas. Aos quarenta anos de idade, tudo fica mais claro, já sabemos o que aconteceu com os sonhos de adolescência, já se desenha no horizonte os amigos que vão envelhecer tranquilamente e os que vão padecer como sempre padeceram, seja pela eterna falta de grana, seja pela eterna intranquilidade de suas almas, seja pela incrível capacidade de se envolveram em confusão. Aos quarenta anos, percebemos pela primeira vez que não há mais tempo para planos mirabolantes e que o tempo é indiferente aos sonhos nossos de cada dia, se você não tomar cuidado, aos quarenta anos pode, pensar que é um derrotado, pode sentir inveja dos seus amigos que estão em condições melhores que a sua, aos quarenta anos o mundo não acabou, mas se você não tiver cuidado as circunstâncias podem levar você acreditar que acabou sim e só você restou sobre a terra apenas para ser sacaneado por Deus.
Modelos não servem para muitas coisas, tudo que escrevo é parte das minhas inquietações e não quer dizer que sirvam para você, ter certeza que não somos  maiores do que o que realmente somos é um bom começo para não transformar nossas vidas em sepulturas de ilusões, é preciso dizer que para além do que sou há todo um mundo e ele vai muito bem sem minha presença. Aos 41 anos de idade meus desejos hiperbólicos ficaram mornos, agora pequenas coisas me cativam, como todo mundo tenho medo das coisas ruins deste país que se proliferam mais que o Aedes aegypti, não entrar em pânico se faz necessário, algum ganha com nosso medo, nosso pânico, tenho medo, mas tenho antes de tudo esperança que ainda no dia de hoje as coisas podem melhorar.



   

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