Ideologias não preciso delas para viver

Desenho : Ediney Santana
Cazuza cantou que precisava de uma ideologia para viver. Ou ele simplesmente achou bonita a palavra i.d.e.o.l.o.g.i.a ou não sabia ao certo o que ela tem de ruim no seu sentido original. Ideologia é cárcere de corações, ideologia é o senso comum refém da ilusão de que realmente é ele  o porto seguro para tomarmos decisões, ideologia cria monstros de convicções, ideologia é cegueira, é a ideologia que faz milhares de pessoas negarem evidências de que estão erradas ou que pensam errado ou ainda que servem demônios crentes de que estão alinhadas com a que de mais puro há na política, artes e até religião.
Não se permitir ao contraditório, não recuar, não pedir desculpas, não assumir culpas é o sentimento de ordem da ideologia, a ideologia é negação do diálogo, quem se entrega a uma ideologia morre para si mesmo, passa a viver paixões alheias. A ideologia atua em toda área de conhecimento, em todos lugares, ideologia para anestesia para dura realidade em que vivemos, é a marca de uma suposta verdade.
Mais que ideologia precisamos viver intensamente nossa dores, nossas fragilidades, assumir a responsabilidade de vivermos, não transmitir para uma ideia ou pessoa a responsabilidade de nos fazermos felizes, só nós mesmos podemos nos fazer felizes. A ideologia precisa de um monstro para se criar uma guerra externa quando na verdade a grande batalha é travada dentro de nós, nas nossas lutas cotidianas, nas nossas incertezas.
O país não vai bem, e qual minha parcela de culpa nisso? Quem votei nas últimas eleições? Por que resisto tanto em aceita que o partido que mais gosto e carreguei bandeiras nas costas se tornou ou sempre foi como qualquer outro? Por que minha religião é tão agressiva? Faça essas perguntas a você mesmo, as respostas podem não ser as mais agradáveis, não é fácil rasgar a cartilha emocional da ideologia e assumir o que somos e o quanto somos responsáveis por tantas outras coisas não sinceras que atormentam nossas vidas.
     


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