Ladrão ou herói? Depende com que mão se rouba

São tempos pervertidos esses dias corridos pela inversão de valores. No Brasil de hoje ser ladrão ou herói é apenas um questão com que mão se rouba, os fatos são invertidos, a importância da obra cultural produzida por alguém pode, por exemplo, ser salvo conduto para que esse alguém defenda organizações criminosas e fique ele ao mesmo tempo imune a qualquer crítica. A questão não é se alguém cometeu algum crime, a questão é se o crime já foi cometido antes, se foi, então tudo bem, aí se passa a discutir a intensidade com que os crimes foram cometidos ou a finalidade social do crime, e se você erguer sua voz, se posicionar de maneira crítica vai ser odiado por todas facções criminosas que controlam o país, por mais estranho que possa parecer, a facção que mais grita contra “o crime da burguesia”, contra os racistas, contra o homofóbicos, contra “elite branca” é a mais intolerante e perversa, ela controla universidades, de feirinhas literárias nas escolas até grandes eventos de literatura, controla todo é qualquer tipo de manifestação cultural e tem o poder de jogar ao chão qualquer pessoa que aponte suas contradições.
Enquanto isso no Brasil concreto milhões de brasileiros padecem, sofrem morrem de doenças tolas, perdem a fé em si mesmo, mergulham na paranoia de ter medo de tudo e de todos. As facções criminosas gritam através dos seus comparsas que “nunca se roubou tão pouco no Brasil”, na verdade nunca se matou tanto.
Seja qual for a mão que roube ambas são criminosas, ambas são assassinas, ambas são responsáveis por todas misérias deste país, ambas são frutos da degeneração política do país, das atrocidades cometidas contra esse povo. Seja qual for a mão que roube ambas representam o crime e a desonestidade, se uma se esconde atrás de movimentos sociais para cometer seus crimes, a outra tem nas suas fileiras racistas, xenófobos que olham para pessoas como eu , nordestino, com o olhar da morte, desprezo e nojo.
O Brasil deve uma resposta a si mesmo, varrer para longe, negar o poder e principalmente buscar novas alternativas políticas em que nenhum agente político de hoje encontre guarita, se não reagirmos vamos todos morrer, seremos todos enterrados na vala comum do desprezo cidadão. Eu acredito no meu país e espero que muitos outros brasileiros acreditem e digam não as facções de hoje, sejam elas ladronas pela esquerda ou pela direita.


   


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