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Gentileza e aprendizado

Ediney Santana
A primeira lição que deveríamos aprender é: gentileza. Ser gentil não é se anular diante do outro, você pode ser firme na defesa das suas posições sem ser agressivo, pode dizer o que pensa sem cair na tentação de calar a voz do outro. Ser gentil é entender que há uma fronteira entre eu e meu interlocutor e que essa fronteira deve ser preservada. Pensar diferente não me faz senhor da verdade; o país vive tempos de intolerância e verborragia, a gentileza seria o melhor partido para um país que clama por justiça.
Quando se aprende uma língua estrangeira deixamos nosso universo cultural para interagirmos com outro, aprendemos que em inglês, por exemplo, devemos ser econômicos ao falarmos, aprendemos a escolher as palavras com muito cuidado, temos zelo com nosso interlocutor. Aprender outra língua é reavaliar nossa condição de pessoas e de como vivenciamos o mundo, ao aprender outra língua convidamos milhares de pessoas para uma gostosa roda de conversa universal.
Quanto mais aprendo mais devo ser mais tolerante. O conhecimento nos liberta de instintos primitivos, quanto mais entendo as razões de outra pessoa, mais devo me entender também, conhecimento nos conecta primeiramente com o que de melhor temos, depois com o respeito, tolerância e civilidade, por isso não se deve confundir conhecimento com informação, um dicionário é só uma coleção de palavras que só ganham significados com o conhecimento que todos nós temos de signo linguístico.
Aprendo coisas novas para me renovar, construir, ser ponte, ação positiva na vida, quero me fazer entender e entender o mundo a minha volta.
Aprendemos uma nova língua para estreitar laços, em qualquer canto do mundo que esteja, uma coisa você nunca vai deixar de ser: gente. A língua nos aproxima, porque só faz sentido aprender outra língua se for para ser ponte e nunca muralha.
Minha língua portuguesa é o traço cultural mais forte que tenho, foi com ela que aprendi pela primeira vez o significado de ser e estar no mundo, foi com ela que aprendi a dimensão do “eu”, mas posso também com muita determinação e coragem projetar meu “eu” em outras línguas, posso estar no mundo de muitas maneiras, ao aprender outra língua me renovo enquanto pessoa, aceito o desafio de me definir em outro idioma, muito mais do que uma questão de trabalho ou estudo, aprender outra língua me faz capaz de ressignificar minha existência sem, no entanto, matar em mim aquele “eu” primeiro, porque foi ele quem me levou a buscar da vida outros desafios.
A gentileza somada ao processo de constante aprendizado me faz uma pessoa melhor. A vida não se resume à urgência das nossas expectativas, todos os dias ganhamos uma nova vida, todos os dias temos a possibilidade de fazer do mundo um lugar melhor. Esteja em paz e até a próxima.
http://poesiaeguerra.blogspot.com.br


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