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Afeto

Não é por viver em favelas que pessoas se acostumaram com misérias. É preciso assumir que caminhamos a passos largos para um estado de insensibilidade aguda e não importa local em que vivemos ou nascemos, todos nós deixamos em algum lugar dos nossos corações a alegria de amar ao próximo. A dor do outro não comove mais, as pessoas olham para os corpos sem vidas e parecem aliviadas por não estarem ali estiradas e mortas, não sabendo que é uma alivio de enganos, toda sociedade brasileira corre perigo, estamos entregues a pessoas insensíveis gerenciando nossas vidas, a questão não é o lugar em que se vive, a questão é o Estado que nos governa, a falta de sensibilidade é mais política que egoísmo.
A paranoia da violência fez de todos nós pessoas sempre prontas para reagirmos negativamente a presença do outro, encontrar alguém não é mais comoção e alegria, é medo. Trocas de olhares podem ser visto como afronta. Perdemos-nos na vala comum dos pré-conceitos, a morte de alguém nos causa alívio por não ser nossa morte.
Ainda acredito que possamos viver outro tempo, nos encontrar com o que de melhor há em nós, poder sim cruzar a ponte da indiferença e sermos felizes.



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