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Reinventar-se sempre

Ediney Santana
Só aos 42 anos de idade consegui finalmente começar meus estudos em língua inglesa, não pense que foi preguiça intelectual, foi falta de condições mesmo. Aprender uma nova língua é um desafio intelectual, começar do zero, ser alfabetizado pela raiz, nos revela fragilidades, mas nunca nos diz que somos incapazes, ter fé em si mesmo é a primeira ação para não desistir do aprendizado quando no meio de novos conceitos e signos linguísticos nos sentirmos perdidos. Durante toda vida gostei de muitos artistas em língua inglesa e espanhola. Espanhol estudei um pouco na universidade, não fui lá muito bom aluno, o pequeno universo em que vivia sedimentava meu pouco caso com os estudos, quando se vive em um pequeno universo metade de um pão serve para matar a fome. Língua Inglesa tive contato apenas na escola e nada além do inesquecível verbo “to be”, nada além do que a primeira pessoa da minha débil formação escolar.
Enquanto se vive, dizem por aí, se tem esperança, então resolvi entender na língua original muitos poetas que gosto tanto, resolvi me deixar emocionar, sem auxílio de traduções, com vozes de tantos cantores e cantoras que ouvi a vida inteira sem entender nada do que estavam falando. Não me sinto menor por cantar canções e não saber ao certo o que dizem, melhor isso que coisa alguma, mas agora é hora de avançar, claro, aprender outra língua não é  negar a minha,pelo contrário, é olhando para fora com o olhar da dignidade que se descobre a beleza do nosso português, língua linda de encanto semântico sem igual, língua de cultura, plural e  não tem nada daqueles versos infames de Olavo Bilac que  diziam ser o português inculto e belo, não existe língua inculta.
Todo tempo é tempo de aprender coisas novas, todo tempo é tempo de se reinventar, todo tempo é tempo de fazer do mundo um lugar sem fronteiras, ao menos pela linguagem, pelo espírito comunicativo que nos faz viver.
Aprender uma nova língua me deixa ativo, animado, me tira do porto seguro das velhas coisas conhecidas e me abre as portas para novos encontros. Aprende-se uma língua por muitos motivos, para mim dois s são especiais: o primeiro é saber que sou capaz de aprender. Toda língua é parte da história da humanidade, aprender uma nova língua me coloca em contato com outras culturas que distantes de mim fazem parte também do que sou, a segunda coisa é mais pessoal, me tira do marasmo, ativa minha cabeça, me livra da inércia intelectual.
Não importa se vamos viver cem anos ou não, importa é fazermos do tempo que estamos aqui andando por esse planeta tão exato em suas contradições o melhor possível de nós. Ser melhor, ser profundo, ser feliz, caminhar, deixar para trás o que nada de bom nos oferece. Aprender uma nova língua é um mergulho filosófico nas nossas raízes, partimos da nossa língua materna, que nos deu identidade, para a infinitude do aprender.
http://poesiaeguerra.blogspot.com.br








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