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Educação para emoções

Ediney Santana
Engana-se quem acredita que só a educação formal, aquela oferecida por escolas e universidades, vão nos salvar do vergonhoso fim de nos autoexterminar. Se listarmos os nomes dos maiores criminosos do Brasil, na lista dos cem principais, não vai aparecer nenhum garoto empobrecido, miserável, morador de rua e morto com um tiro na cabeça pela polícia. Os maiores criminosos do Brasil tem curso superior completo, muitos são de famílias “ilustres”, falam mais de uma língua, geralmente são cultos, versados em artes e não temem a justiça.
A educação como salvadora é um mito, só ela não garante que tenhamos uma sociedade que se repeite, não garante que o conhecimento não seja usado para pilhar, manipular e sequestrar direitos. A educação sozinha não é capaz de garantir estabilidade social, diminuir desigualdades, pelo contrário, pode até cavar abismos, coagir e ameaçar liberdades individuais.
Conhecimento sem base ética leva ao gargalo da imoralidade pública, a prepotência dos que estacionam seus carros nas calçadas, aos que julgam e condenam pela aparência, leva a manipulação política e ideológica. Conhecimento sem raízes no respeito ao contraditório ou bem comum é conhecimento para  desigualdades. 
É nas relações cotidianas que notamos o quanto ter dinheiro para comprar um carro de R$ 150, ou ter viajado pelo mundo, ter mestrado ou doutorado sem ética e respeito ao próximo é tudo verniz sobre a casca grossa de uma sociedade doente. Vivemos em uma sociedade pavio curto, pois se educa para resultados, não importa os meios, o que importa é ter resultados, não há educação para emoções, vale a vontade de um sobre todos. Ainda estamos na idade média da gentileza, deseja-se não um mundo melhor, mas um particular mundo melhor, como se isso fosse possível.
O Brasil caminha para o abismo quando deveria ser neste momento um dos países mais bem sucedido entre todos os países, o problema não é só político, o problema é a relação tosca do brasileiro consigo mesmo e com o país. Conhecimento, formação acadêmica não faz do país lugar de espíritos mansos, pelo contrário, aqui os espíritos estão armados até os dentes.
Educar um povo envolve muitos aspectos que vão além do escolar, até leis educam, mas neste momento no qual os brasileiros pensam de maneira binária e sectária se faz urgente reforçar a educação para emoções, garantir o direito ao contraditório, frear a ideia de que somos todos juízes, garantir o mínimo de diálogo nesta sociedade triste.
Cabem às escolas fortalecer a formação ética e para o coletivo, valorizar disciplinas humanas, despertar nos seus alunos o olhar sensível para artes e poesia. A grande lição é fazer com que todos sejam honestos quando estiveram a sós, é na ausência de testemunhas que as tentações surgem e é também nestes momentos que alguém com sólida formação ética mantêm-se honesto e decente.
Famílias que educam seus filhos como se fossem estrelas únicas no mundo, como se pertencessem a alguma dinastia ou casta contribuem para que eles tenham forte inclinação ao egoísmo, podem quando adultos ingressaram no clube dos facínoras, o clube dos que se acreditam até a cima da própria condição humana. Educar é esforço conjunto entre escola e família, sendo que a educação para emocional é de responsabilidade familiar, não que a escola não tenha responsabilidade nisso, mas é na família que se forma o caráter das pessoas. 
Pais e mães insensíveis, prepotentes, agressivos, egoístas e arrogantes vão contribuir para formação distorcida do caráter dos seus filhos. É em nossas casas que podem nascer o país que desejamos para todos nós, um país nosso de deveres e direitos plurais.





  





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