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Mês Luiz Gonzaga

Desconheço outra personalidade musical no Brasil, além de Luiz Gonzaga, que ganhou o status de lenda. Durante todo mês de junho a memória do grande compositor e cantor Luiz Gonzaga é reverenciada por milhões de pessoas, em milhares de festas suas canções tocam e são tocadas. É o único caso na música popular brasileira de integração perfeita entre artista, sua obra e o povo. Luiz Gonzaga soube unir música para puro entretenimento com reflexão social e letras refinadas, escolheu a dedo seus letristas e entre eles destacam Humberto Teixeira autor de letras como Asa Branca (canção tão mítica e lendária quanto seus autores), Baião e Assum Preto. Foram muitas parcerias entre os dois, o outro parceiro importante foi Zé Dantas autor de letras como Vem Morena, Feira de Gado, O Xote das Meninas e Riacho do Navio.
As parcerias com Humberto Teixeira e Zé Dantas foram essenciais para Luiz Gonzaga exercer com maestria todo seu talento musical. No Século passado a Academia Brasileira de Letras escolheu as melhores músicas daquele século, Asa Branca ficou em segundo lugar, perdendo para a bela música de letra duvidosa composta por Ary Barroso, “Aquarela do Brasil”, mas pouco importa, listas são listas, o que vale é que Asa Branca é um hino para milhões de brasileiros e Luiz Gonzaga é para esses mesmos milhões de brasileiros síntese de um Brasil que deu certo ao cantar suas mazelas e alegrias, perdas e conquistas. Um Brasil humilde que saiu de uma pequena cidade no interior de Recife e anos depois do seu desaparecimento físico sua obra continua trazendo alegria, reflexão, mantém o frescor e nos diz que a melhor respostar as nossas contradições sociais é infetá-las. 
Por tudo isso, acredito que nenhum outro artista da música no Brasil teve a importância de Luiz Gonzaga, ele não foi um virtuoso da sanfona ou um cantor de voz inquestionável, mas no conjunto da obra, tudo nele o fez gênio, grande e sem igual. 
Negro, pobre, nordestino, se vestia como cangaceiro, seu canto era dramático, suas músicas podiam ir do lamento triste do homem do interior do nordeste a contagiante manifestação de alegria. Sereno, falava como se rezasse, mítico, profundo, sábio, voz do nosso povo... Em uma frase... Luiz Gonzaga.
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