Um país sem nação

Ediney Santana
Tantos anos depois de se tornar independente de Portugal o Brasil ainda é visto como uma colônia, agora não mais por invasores ou aventureiros, mas por quem nasceu aqui e como Chico Buarque em uma das suas canções sente-se nascido na barriga da miséria de ser brasileiros. Somos um país a procura de uma nação, nada escapa a fúria predadora do litígio entre cidadãos e seu país natal: destruição impiedosa da nossa fauna e flora, canibalismo político destruindo com nossas instituições públicas, violência no trânsito, desprezo por nossa cultura, desprezo por nossa língua, racismo generalizado e multiétnico, xenofobia e olhar o estrangeiro, em especial estadunidenses e europeus, como se fossem pessoas de espécies superiores a nossa.
Como qualquer colonizador predatório o olhar dos brasileiros para seu próprio país é de explorar, pilhar, destruir e culpar o próprio país como se ele fosse responsável pelas próprias mazelas que aqui proliferam.
Com o fim da ditadura militar criou-se ilações entre os símbolos pátrios e o regime militar, o que foi um erro além de estúpido, creio, proposital. A partir disso nossa Bandeira, Hino Nacional ou qualquer demonstração de patriotismo passou a ser visto como saudosismo da ditadura militar, nosso patriotismo resumiu-se em louvar uma seleção de futebol, pessoas vazias ganharam o status de “formadoras de opinião”, o dito pelo não tido, o riso pelo riso, a inteligência passou a ser vista, como cantou Renato Russo, traição, e dignidade doença.  
O resultado disso tudo é uma nação que despreza seu próprio país, nação que acaba por se tornar refém de um Estado que também despreza o país. Vivemos ilhados na esquizofrenia da violência, paranoia do medo contra todos que não sejam nosso espelho, de classes sociais migramos para castas sociais.
O Brasil é um país perfeito de uma nação que não o merecia, um país no qual se mata e morre por um time de futebol, mas não se sente ofendido com as agressões contra a própria nação, um país assim não pode ter final feliz. Somos um país de deprimidos, tristes, fracassados na grandeza de amar e respeitar, somos um país de covardes, um país em que o dinheiro é respeitado acima de qualquer coisa, mesmo que seja dinheiro do crime, da morte e da dor.

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