Literatura e pré-censura

Ediney Santana
A literatura brasileira de hoje vive um neo- parnasianismo egocêntrico. A escrita se justifica apenas pela presença de quem a escreve, das panelinhas acadêmicas, virtuais a saraus pretensamente vanguardistas, mas tão conservadores quanto qualquer estética burguesa e palaciana reina a elegante decadência de como falar sobre o nada.
Intimidação cultural é aquele momento em que alguém começa escrever e sente a presença invisível da censura, aquela voz que de maneira autoritária diz o que deve-se escrever ou não, a voz que leva o autor a ter medo de colocar no papel sua real vocação literária.Isso acontece porque há um criminoso processo político que une direita e esquerda política,querem o controle de corações e mentes, são duas maneiras gastas e previsíveis de exercer o poder, se alimentam, se justificam e são intolerantes com quem não aceita esse jogo binário.
Todas nossas relações sociais estão contaminadas por essa censura híbrida da esquerda e direita é preciso  vencer, superar esse estágio, mas claro, muita gente se sente confortável nesta cama de espinhos. Tudo isso censura o fazer artístico mesmo antes que ele se materialize, a promiscuidade cultural se torna razão da própria arte.
Em qualquer feira literária, em qualquer programa voltado para literatura a diversidade existente não se distância da maneira única de pensar, é acolhido quem de joelhos se submete ao delírio preto e branco dos censores de plantão.
Há muito não dialogamos mais com a liberdade artística.  A ideia de arte alternativa é tão somente isso, uma ideia, a vocação libertária que essa palavra traz não condiz com uma sociedade esfomeada por reconhecimento e reconhecimento não acontece tão somente pelo talento que alguém possa ter, vence quem de alguma maneira não oferece riscos para o sistema bem montado que controla toda sociedade.

Nada mais próximos neste momento de que os supostos antagonistas sociais, parecem distantes, mas são interdependentes, ficar contra a tudo isso é saber que será invisível por um tempo que pode durar para sempre. As homenagens não são para os dissidentes desse grande teatro, mas quem tem consciência, como bem escreveu João Apolinário, é para ter coragem.

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