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Solidão

Ediney Santana
Cantou Belchior em “Alucinação”: “A solidão das pessoas nestas capitais”. A necessidade de ficar só, de reduzir ao mínimo a interação com outras pessoas pode ser uma escolha pessoal ou não, pode ser sintomas de depressão ou aleijo social. Estamos vivendo quase sem memória solidária ou afetiva, se o outro morreu de fome? Atropelado? Se foi demitido? Quem bom que não foi conosco, é assim de maneira indiferente a dor do outro que a qualquer momento pode ser nossa também que estamos vivendo, a ilusão de que na nossa bolha social estamos seguros têm nos isolado, adoecemos, perdemos o encantamento com a nossa espécie, se ama um cachorro e se despreza aquele humano que ao nosso lado tem medo até de nos olhar nos olhos.
Estamos vivendo uma neo- escravidão, as relações são pautadas no servilismo, por mais que se digam amorosas, não são, enquanto o outro for serviçal está tudo bem, se não, está tudo errado. “Meu amor”, “meu bem” ou “meu amigo” são códigos não para demonstrar amor sincero ou gentileza afetiva, depois de pronunciadas essas frases segue-se um pedido ou uma ordem, não raro carregado de chantagem emocional. Estamos sós, sofremos da pior tipo de solidão, aquela dolorosa descoberta que mesmo acompanhados não estamos ali para compartilhar, dividir responsabilidades, descobrimos que somos como um móvel da sala.
Esse século se revela o mais cru e sórdido de todos, nele chegaremos à terceira ou quarta guerras mundiais, mas não será uma guerra ortodoxa, será uma guerra de destruição do nosso legado emocional, ataque a nossa sensibilidade, a bússola vai apontar sempre para o medo e coação, estamos em guerra, cabo de força em que todo vão perder, nossa espécie caminha para a barbárie emocional.
Perdemos o gosto pelo convívio gratuito, sempre deve-se tirar algum proveito, queremos amor e não nos preocupamos com quem diz nos amar, somos ásperos, duros, não queremos sentir fome, mas pouco nos incomodamos com a fome de quem vive perto de nós, o amor se tornou uma foto ostentação no fecebook vendendo uma vida que não existe.
Se vamos reverter isso tudo? Espero que sim, mas creio que não será nossa geração que fará isso, estamos apenas cumprindo tabela, nosso tempo passou, deixamos esse triste legado de destruição da nossa natureza humana, deixamos nossa soberba como se fosse um retrato 3X4 impresso nessa triste página da história, fica nossa indelicadeza emocional, perdemos o caminho de casa, vivemos a esmo na nossa condição de gente e pessoas.
Mas...Quem sabe, ainda revertemos tudo isso, passamos olhar para o presente, entender o quando a melhor vida que podemos ter é ter ao nosso lado parceiros e não competidores, amigos e não inimigos, amores e não escravos emocionais,  fé e não temor, coragem e não covardia, gentileza e não aspereza. Tudo podemos, inclusive amarmos em profunda grandeza.


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