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Quer ser aprovado no exame da OAB?

É impossível ser advogado ou um bom advogado sem ter intimidade com a língua de Ariano Suassuana, Augusto dos Anjos, Cícero, Clarice Lispector, Frank Kafka, Gonçalves Dias, Graça Aranha, Gregório de Matos, Honoré Balzac, Jorge Amado, Liev Tolstói, Manuel de Barros, Monteiro Lobato, Murilo Rubião, Ruy Barbosa, Tobias Barreto e tantos outros, mas qual a relação de todas essas pessoas com a o Direito? Eram advogados. A lista de escritoras e escritores brasileiros ou não que estudaram Direito é imensa, desde a Grécia antiga até os anos de 1980 a relação é crescente. As gerações mais novas de escritores que desejaram ter formação acadêmica optaram pelo curso de Letras e alguns Direito e Letras ao mesmo tempo.
A lista que coloquei aqui são nomes que se tornaram celebres na Literatura, mas há os que não ficaram conhecidos como escritores, no entanto atuaram como professores, jurista e políticos. São muitos políticos e juristas poetas. Essa relação entre Direito e Literatura remete às raízes do próprio Direito, mesmo antes de termos um curso sistematizado de Letras, a literatura influenciou de maneira definitiva o Direito.
O que comumente chamamos de juridiquês, nada mais é que o cruzamento de uma linguagem técnica, própria do Direito e Literatura, claro que o resultado nem sempre é algo interessante, muitas das vezes cria-se monstrengos literários o que prejudica o próprio entendimento do Direito.
 As marcas da Literatura contaminaram e contaminam o Direito, nossa Constituição Federal é um exemplo disso, muitos dos seus artigos parecem introdução de um romance ou trechos de poemas simbolistas, parnasianos e seu tom eloquente foi herdado do romantismo. Isso mesmo, ao menos no Direito brasileiro quase que todos seus textos são parnasianos, simbolistas e românticos. O apego a oratória que toma conta dos debates jurídicos herdamos dos gregos e romanos (não raro, eram poetas), no Brasil essa maneira peculiar de oratória carregada de frases de efeito, ordem inversa e citações de escritores foi moldada pelos bacharéis românticos.
Ouvir um debate entre acusação e defesa, Ministério Público e algum advogado é presenciar um momento de profunda vaidade literária, mesmo que as partes envolvidas não tenham consciência disso, vence não só quem tem provas, mas quem consegue ser mais persuasivo e essa persuasão verborrágica foi herdada dos saraus literários gregos, romanos e no final século XVIII e durante quase todo século XIX encontrou no romantismo sua alma gêmea.
A grande dificuldade de quem estuda Direito em ter intimidade com textos jurídicos acontece por dois motivos: a incapacidade de leitura e consequentemente também de produção de texto. É impossível ser um bom advogado e terá grande dificuldade em ser aprovado no exame da OAB quem não tiver com a Língua Portuguesa uma relação intensa. Claro, sempre há as cotas dos medíocres, que sem pegar em um livro consegue passar no exame da Ordem, assim como conheço professores de Letras que nunca leram um livro de poesia, mas essa exceção da mediocridade não deve ser levada em conta. 
A dificuldade com o Direito e seus textos é a dificuldade com a leitura e interpretação. Nosso Direito é profundamente literário e um povo que não é lá grande leitor, que despreza sua literatura, mas quer ser senhor e senhora doutor em Direito, vai ter sim dificuldades. Comece agora um processo de ressignificação de sua vida profissional e cultural. Mergulhe tanto no Direito como na nossa Literatura, leia nossa Constituição perceba a forte influência da literatura nela, o teor filosófico literário em cada capítulo, veja os debates no STF e STJ, compare com um sarau literário. Há todo um mundo de possibilidade no Direito e Literatura. Não tenha medo, poetas não mordem, comece hoje essa nova aventura, leia poetas de hoje, converse com eles sobre composição e leitura do texto. Boa viagem.
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