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A vergonha de dizer não!

Neste último dia do ano escrevo sobre uma questão que não nasceu em 2016, mas que certamente neste ano cresceu e se tornou poderosa: a vergonha de dizer não ou simplesmente expor pensamentos e ideias. Uma força muito poderosa, um híbrido monstruoso entre esquerda e direita que consegue fazer milhões de pessoas se sentirem constrangidas em dizer o que estão pensando ou discordarem do que é posto como caminho, verdade e vida.
Se você discorda de alguém que se diz de esquerda ou se questiona a visão política dessas pessoas, mesmo que você reconheça o direito que elas têm de serem de esquerda, você será chamado de fascista, manipulado, “leitor de Veja”, se você, por exemplo, for contra o aborto, será chamado de “conservador” e retrógrado. O curioso é que essas pessoas mesmo se dizendo sabe tudo sobre todas as questões políticas desconhecem justamente em política o que realmente significa ser fascista ou conservador
Por outro lado se você discorda de alguém que se diz de direita, se não apoia o sistema financeiro e tudo de ruim que existe nele, se questiona a ideia de igualdade e oportunidade, questionando que igualdade e oportunidade não é o mesmo que igualdade de condições para competir, ainda, se não é do tipo indignado seletivo que acredita ser o PT realmente o chefão de toda corrupção no país, você será chamado de “comunista”, “petralha”.
A intimidação política não fica só nos exemplos acima, se estende para questões religiosas, negros evangélicos sofrem preconceito por não fazerem parte de nenhuma religião de matriz africana, negros que fazem parte de religiões de matriz africana sofrem preconceitos, isso se estende para cultura, muitos grupos políticos acreditam que são guardiões de determinadas manifestações artísticas e criaram a figura da “apropriação cultural”, isso não tem relação alguma com proteção ao nosso patrimônio imaterial cultural.
Com essa selvageria ideológica o resultado é o empobrecimento do debate político. Dois grupos pobres espiritualmente e politicamente tomam contam do debate político, com medo, milhões de pessoas ficam distantes dos maiores debates do país, sentem-se intimidades, pensam, desejam opinar, mas ficam em silêncio. A direita parasita e a esquerda sem caráter agradecem, esse século são deles.
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