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Jantar e crime

Na delação: “em um jantar acertamos o valor da propina”. Quantos crimes são articulados em mesas fartas e jantares de luxo? Ou melhor, em palácios? É mórbido e tragicamente irônico que pessoas sentam-se em uma mesa cheia de comida para acertar crimes que vão levar à fome e morte tantas outras pessoas. Nos últimos dias, com o avançar da Operação Lava Jato e as delações premiadas, tomamos consciência da naturalidade a qual crimes são articulados, como pessoas sem sentimento algum, roubam e matam com se estivessem apenas trocando ideias entre amigos e parentes sentados em uma mesa.
Paralelo a comilança criminosa, esses mesmos agentes do Estado tramam reformas administrativas que vão impactar a vida dessas mesmas pessoas já roubadas por eles. É preciso, sim, diminuir os gastos públicos, mas não se pode sacrificar quem já não tem quase nada. Nossa saúde e segurança pública são máquinas de triturar gente, gente pobre e tempere isso com o absurdo da reforma da previdência que iguala pela perversão política homens e mulheres, trabalhadores braçais ou não e empurram todos para uma vida de trabalho que só a morte vai por fim.
Quem mais deve ao Estado são estados, prefeituras e claro, todo tipo de sonegadores que o Estado sabe quem são é não faz com eles o que quer fazer com os pobres. É preciso reformar o Estado, mas essa conta não pode ser paga por quem só tem como pagar se sacrificando a uma vida de extremo trabalho penoso. A sociedade brasileira deve escolher qual caminho deseja seguir, se pretende manter-se em um horrendo pensamento binário: esquerda e direita, ou quer unir-se para resgatar nosso país de uma vez por todas dessa quadrilha multipartidária que nos querem escravos e domados por suas vontades.



  

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