Pular para o conteúdo principal

Sou grato

Sou grato ao povo trabalhador deste país que financiou meus estudos. Enquanto estava apenas estudando na universidade, milhões de brasileiros honestos e descentes trabalhavam, pagam impostos para financiar meus estudos, sou grato a todos os aposentados, trabalharam duro, contribuíram para previdência social para que um dia eu também some meus anos de trabalho aos deles e me aposente. Não confundo Brasil, país e nação, com o Brasil Estado tomado de assalto por criminosos, mas também sou grato aos bons políticos que temos, que lutaram para preservação de direitos, que criam leis que deram a milhões de brasileiros direitos civis, que lutam todos os dias para fazer dessa nação uma nação melhor. Não a nada de errado em agradecer aos bons políticos, eles foram eleitos por bons brasileiros que eu nem sei quem são, bons brasileiros escolhem bons políticos.
Sou grato aos milhares de artistas – educadores populares que sem apoio governamental algum educa e cuida de tantas pessoas, sou grato aos artistas que não vivem a sombra do dinheiro público e mesmo assim produzem artes, preservam nosso patrimônio cultural e nos faz acreditar sempre neste país.
Sou grato aos bravos médicos que atuam em postos de saúde e hospitais públicos, muitas das vezes fazem milagres para salvar vidas, mesmo em condições  ruins de trabalham não abandonam a vanguarda pela vida. Sou grato aos bons polícias pela dignidade com que exercem uma das profissões mais difíceis que se tem notícia, sou grato aos grupos evangélicos, católicos, espíritas e todos os grupos religiosos que pela madrugada enfrentam frio e violência para levarem comida, cobertores ou uma palavra amiga aos moradores de rua, aos que não tem mais nada.
Sou grato os bons brasileiros, honestos, não sonegadores de impostos, não racistas, separatistas, xenófobos que nos enchem de orgulho em atos heroicos anônimos. Sou grato aos garis e suas batalhas diárias das quais dependem nossa saúde, sou grato os bons comerciantes que cobram preços justos e não mentem ou enganam seus clientes.
Somos um país com muitos problemas, muitos desses problemas nascem da política, do voto errado e principalmente do voto insistentemente errado, nascem do desprezo que parte da classe média tem por nossa gente e nossa cultura, pelo ódio que uma região do país sente por outra, pela divisão do povo na seara dos estúpidos. Se quisermos um Brasil melhor agora, é agora que devemos avançar, não podemos mais aceitar planejamentos em longo prazo, queremos agora a reformulação de leis, reforma tributária, judiciária, administrativa e política tudo isso com intensa participação popular. Todas essas reformas se pressionarmos o Estado pode ser feita em um prazo de dois anos, não podemos permitir que teocratas, burocratas, corações ciciados no poder e essa classe política mesquinha ditem as regras para nossas vidas, não podemos permitir que o Estado regulamente nossas decisões individuais, mas podemos cobrar que o Estado seja Estado e não esse ajuntamento canalha de ideologias parasitas.


Postagens mais visitadas deste blog

"A felicidade é uma arma quente”

Eu que nunca saio do meu lugar exílio, imagino como o mundo deve ser lindo. Estou tão fantasma em Santo Amaro que me considero um prisioneiro condenado a devorar-me sem piedade e pouco a pouco ir morrendo de tantas angústias que não há sol a iluminar tanta escuridão.
Você descobre que está ficando para trás quando todos da sua geração foram embora. Quando esses seus amigos voltam à cidade e você só fala com eles do passado é sinal também que a amizade já era, ficou presa em algum lugar desse mesmo passado. Nem eles e nem você cabem mais na vida um do outro.
Acostumar-se com migalhas de felicidade, com aparente segurança da rotina é um passo certo para pararmos no tempo, para voltado às pequenas coisas nos tornamos bobos de uma corte morta há tempos.
Torna-se um monumento não é bom, se isso acontece quer dizer que mesmo você estando vivo, todos vão considerá-lo morto. Tenho a impressão que a natureza só mata alguém quando esse alguém já não interfere nem para o bem nem para o mal na vida…

Carta para daqui a 50 anos

Hoje é sábado, 29 de junho de 2013, São Pedro, últimos dos santos juninos, aqui perto em São Francisco, vai ter show “grátis” do Chiclete com Banana, claro que não vou, tem gente em excesso de suposta felicidade e acho um saco tanta gente feliz junta por quase nada, não que eu seja triste, mas a minha felicidade repousa na linha do horizonte, não se resume a uma multidão insana pulando e gritando: “chicle...tê!!!! Em 2063, o maior plano é tá vivo, curtindo minha velhice e ouvindo as histórias da minha filha, ler essa carta nem que seja com uma lupa daquelas de Sherlock Holmes, talvez olhe para uma foto minha de hoje e diga: elementar, meu caro Ney, tudo no fim deu certo. Não pense, eu de hoje, que meu sonho é só envelhecer, há o recheio, como de um sanduíche que comi certa vez e daria para alimentar um uma fila inteirinha de pau de arara, pau de arara eram caminhões que certamente devem ter levado muita gente minha para São Paulo, gente que por lá trabalhou duro e morreu da mais profund…

Mãos calejadas, meu Deus.

Os escravos eram as mãos e pés dos seus donos, tinham as mãos calejadas do trabalho braçal e penoso nas plantações enquanto os senhores de engenho tinham as mãos suaves. Neste momento aconteceu algo que marcou para sempre a divisão do trabalho: o trabalho braçal e o intelectual, o braçal desprestigiado e intelectual privilegiado. Ter as mãos calejadas passou a significar pouco estudo e baixa qualificação, consequentemente desprestigio social, enquanto o trabalho intelectual passou a ser valorizado, trabalho de “doutores”, de pessoas “importantes”. Essa divisão alimentou e alimenta muitas das nossas mazelas e preconceitos. O presidente Barack Obama disse que não pode simplesmente colocar os imigrantes ilegais para fora dos Estados Unidos, porque o país precisa deles. Nos Estados Unidos trabalho como motorista, gari, baba, diarista, garçonete, frentista ou pedreiro são excetuados por imigrantes, muitos deles brasileiros que aqui não pegariam no cabo da vassoura para varrer a própria ca…