Pular para o conteúdo principal

Bob Dylan e as verdadeiras mentiras

Ediney Santana
Bob Dylan, U2, Rolling Stones e muitos e muitos outros artistas estrangeiros sabem que no Brasil a plateia e grana são mais que garantidos, nos bons tempos em que se vendia discos, o Brasil era um mercado domesticado pela indústria fonográfica estrangeira e se duvidar, muitos artistas vendiam mais discos por aqui que nos seus países. Nossa imprensa sempre tratou artistas estrangeiros como majestades visitando a eterna colônia e claro, aqui seus súditos (muitos sem falar uma só palavra em inglês) sempre foram féis ao extremo, tanto que muitos olham para a música brasileira com desdém, mas já para a corte “imperialista” são todos amores.
Atenho-me aqui aos artistas estrangeiros que nos seus países têm suas produções artísticas centradas na ideia de que são “inimigos” do sistema, seguram todas as bandeiras políticas e sociais que os transformaram em arautos do novo mundo. E é aqui que algo me chama atenção: se essas pessoas são tão politizadas, tão abertas ao mundo por que elas nunca demonstraram interesse algum pela música e cultura brasileira? No máximo decoram sempre os mesmos nomes para responder a algum reporte que consiga entrevistar vossas divindades.
Não será difícil encontrar por aqui quem festejou o Nobel de Literatura dado a Bob Dylan, ou quem até mesmo dorme em porta de estádio para assistir shows dessas “grandes” bandas que aparecem por aqui, bandas como Guns N' Roses. Honestamente não sei se no país deles eles têm mais público que aqui .É fato: a melhor coisa que o Brasil pode oferecer para essa turma é o dinheiro, nossa música e cultura não interessa.
Não venha me dizer que isso é porque falamos português, essa argumentação é sem sentido e estúpida. O inconformado político no país dele, ao sair se comporta com se comporta qualquer imperialista, nos olhando por cima, alguns até  vestem camisa da seleção brasileira, dizem que gostam de caipirinha e  isso é o suficiente para fazer com os egos dos seus fãs por aqui ejaculem notas desafinadas de uma país que se cospe na cara, mas fica de quatro para qualquer cosias que fale inglês, venha da Europa e principalmente dos Estados Unidos.
Essa chupada gringa não acontece somente na música, acontece na literatura. Vá a uma merda de livraria e tente encontrar um livro de algum poeta brasileiro contemporâneo. Logo na entrada vai ver pilha de livros de autores estrangeiros. Nas universidades, lugares que muitos professores fariam Narciso se sentir o menor ego do universo, toda arrogância intelectual desaba, diante o pensamento estrangeiro, sentem prazer em falar de autores estrangeiros com intimidade que nem as mulheres, por exemplo, de Marx tiveram com ele.
O pobre do aluno se escrever uma resenha, aí dele se não usar como bibliografia os livros indicados pelo mestre da prepotência da produção acadêmica sem serventia alguma para o país, já que nossos doutos vão buscar na Europa ou Estados Unidos (para eles não existe América Latina ou qualquer outro continente, apenas os Estados Unidos e Europa) muletas acadêmicas para sustentarem suas teses, como por exemplo, se nosso feijão com arroz é ou não um prato primitivo. Mostre-me qual “gênio” do pensamento perfeito estrangeiro um dia disse alguma coisa sobre nossos autores?
Para o resto do mundo não pensamos, não produzimos nada que presta e o pior é que se aceita por aqui essa roupa, veste-se e até fazem tese de doutorado sobre ela. Quem levaria a sério um país no qual uma professora com doutorado é questionada por suas colegas o motivo dela ser professora de ensino fundamental? Para essa gente, ter um curso de pós-graduação transforma o possuidor do título em uma casta superior, uma divindade que não deve viver próxima do povo, mas escondida dentro das universidades, e claro, chupando qualquer merda que fique ereta e esteja em inglês, francês ou  alemão.
E nas artes plásticas? Até hoje tem gente com “O Código Da Vinci” de Dan Brown embaixo do braço tentando descobrir prá que caralho a Mona Lisa sorriu. Agora vá você fazer sua exposição, logo aparece os filhotes bastardos de Monteiro Lobato, vão dizer que você é paranoico ou faz arte decorativa.
Na infantaria dessa miséria toda gente super e mega inteligente de esquerda tá lado a lado com gente linda super lindos de direita.  Quando é para foder o Brasil, a canalhice é ambidestra.
Fica claro, mas é melhor explicar. Não sou fechado a cultura do mundo, gosto de muitos dos artistas citados aqui e de literatura estrangeira, mas penso que já passou da hora de nos olharmos com mais respeito, não espero pelo dia em que Bob Dylan diga duas frases em português, mas espero pelo dia em que brasileiros realmente se respeitem mais, respeitem e valorizam nossa cultura, e não somente o que foi selecionado pela  mass media.
Vestir a camisa com a bandeira dos Estados Unidos? É lindo, patriotas. Vestir camisas com as cores de Cuba?  É revolucionário. Vestir uma camisa com as cores do Brasil? Fascista, nacionalista, militaristas. São esses adjetivos que já muita gente tratar quem demonstre amor pelo país, quem sabe a diferença entre Estado, País e Nação. Sou critico dos nossos problemas, mas também sou proativo, ofereço o meu melhor, para que o país chegue ao melhor, se sei do erro, tenho o dever de propor soluções e principalmente não me calar diante os problemas ou me tornar militante virtual enquanto a realidade é perversa com todos.
Antes que o mundo nos respeite, digo novamente, o povo desse país deve respeita a si mesmo, deve valorizar o que tem de melhor, deve expurga a canalha que há anos vermina neste país. Respeito vem de dentro e não de fora.


 


Postagens mais visitadas deste blog

"A felicidade é uma arma quente”

Eu que nunca saio do meu lugar exílio, imagino como o mundo deve ser lindo. Estou tão fantasma em Santo Amaro que me considero um prisioneiro condenado a devorar-me sem piedade e pouco a pouco ir morrendo de tantas angústias que não há sol a iluminar tanta escuridão.
Você descobre que está ficando para trás quando todos da sua geração foram embora. Quando esses seus amigos voltam à cidade e você só fala com eles do passado é sinal também que a amizade já era, ficou presa em algum lugar desse mesmo passado. Nem eles e nem você cabem mais na vida um do outro.
Acostumar-se com migalhas de felicidade, com aparente segurança da rotina é um passo certo para pararmos no tempo, para voltado às pequenas coisas nos tornamos bobos de uma corte morta há tempos.
Torna-se um monumento não é bom, se isso acontece quer dizer que mesmo você estando vivo, todos vão considerá-lo morto. Tenho a impressão que a natureza só mata alguém quando esse alguém já não interfere nem para o bem nem para o mal na vida…

Carta para daqui a 50 anos

Hoje é sábado, 29 de junho de 2013, São Pedro, últimos dos santos juninos, aqui perto em São Francisco, vai ter show “grátis” do Chiclete com Banana, claro que não vou, tem gente em excesso de suposta felicidade e acho um saco tanta gente feliz junta por quase nada, não que eu seja triste, mas a minha felicidade repousa na linha do horizonte, não se resume a uma multidão insana pulando e gritando: “chicle...tê!!!! Em 2063, o maior plano é tá vivo, curtindo minha velhice e ouvindo as histórias da minha filha, ler essa carta nem que seja com uma lupa daquelas de Sherlock Holmes, talvez olhe para uma foto minha de hoje e diga: elementar, meu caro, tudo no fim deu certo. Não pense, eu de hoje, que meu sonho é só envelhecer, há o recheio, como de um sanduíche que comi certa vez e daria para alimentar um uma fila inteirinha de pau de arara, pau de arara eram caminhões que certamente devem ter levado muita gente minha para São Paulo, gente que por lá trabalhou duro e morreu da mais profunda…

Como é viver com ódio?

A internet parece ter sido transformada na vitrine do ódio. Sempre encontro bons vídeos e sites na internet com conteúdo interessante e instrutivo, mas esses sites e vídeos têm baixíssimas visualizações, por outro lado sites e vídeos com conteúdo de ódio ou violência têm milhares de acessos. Canais de políticos que não tem nada de proativo ou ideias criativas e práticas, mas explodem de ódio batem recordes de seguidores que expõe ódio, violência verbal e ameaças.   Parece ser um estado permanente de ódio, seja religioso, sexual, político ou cultural, nada escapa ao ódio. Algumas manifestações de ódio são abertas ou diretas, outras são disfarçadas de altruístas, mas todas têm como objetivo neutralizar qualquer voz dissonante dos que esses furiosos ambidestros pretendem. No mundo da violência emocional odeia-se por um único motivo: não há no mundo espaço para concepções socais diferentes das quais a ambidestra cavaleira do ódio defende.   O ódio emburrece, torna bruto corações e mentes…