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“A outra face”

Saudosistas preguiçosos repetem enfadonhamente que a música atual perdeu os rumos, que temos uma coleção de artistas iguais cantando coisas iguais e o bom mesmo ficou em algum lugar do passado povoando nossas lembranças e emoções juvenis. Isso não condiz com a verdade, ou ao menos distorce de maneira simplória as evidências. Que evidências? Em todas as épocas tivemos bons e maus momentos musicais, e durante muito tempo aprendemos a gostar tão somente do que as gravadoras nos empurram, com a pirataria e  diminuição do poder e fim de muitas gravadoras não temos mais as ondas musicas que infernizavam nossos ouvidos, mas temos inúmeros artistas produzindo seus discos, gravando sem a interferência do olhar abutre dos produtores comercias de gravadoras.
Para quem não sabe, artistas que tinham preocupações além de comerciais com seus trabalhos enfrentavam a insensibilidade cultural das gravadoras em um briga muitas vezes desigual, no entanto o novo sempre vem, cantou Belchior, é só olhar para o lado que um mundo novo maravilho nos espera. 
É com espírito libertário unindo o melhor das influências das bandas de metal da década de 1970, revigorando o blues e letras que flertam com o pop que a banda brasilense Elffus nos apresenta o visceral “A outra face”, super disco gravado, arranjado e executado com extremo profissionalismo, a Elffus tem uma sonoridade vibrante, o disco é conceitual, cada música apresenta a seguinte, é além de um disco, um álbum. 
Há um clima apocalíptico nas músicas da banda Elffus, letras com títulos como “Inferno”, “Último beijo” e "Anjos e demônios” parecem nos levar a um diálogo com o que de mais íntimo há em nós, aquela intimidade que não revelemos, mas que é nossa companheira, são músicas que jogam pelo chão nossa inocência de que é possível viver em cima de um muro emocional no qual tudo pode ser cor de rosa, mas no fundo, sabemos, tudo é guerra, amor, tesão e crenças abaladas. 
“A outra face” traz doze canções, alterna momentos vibrantes e viscerais com momentos de declarações afetivas e introspecção sem que a adrenalina sonora arrefeça, tudo é temperado com um espírito inquieto, é impossível ficar indiferente à pegada aguda, punhal afiado da Elffus.
A Ellfus é formada pelo baterista competentíssimo Álcimo,no baixo e violões a precisão e talento de Fernando de Castro,Pedro Selva faz das guitarras e violões uma sinfonia rock que nos arrebata, na voz e violões Alberto traz dignidade os cantores de rock, voz que não apenas canta, mas interpreta com alma as canções.
Então se você desejar ouvir músicas que unem passado e presente e nos oferece uma ponte para o futuro, bons músicos e letras inteligentes sugiro que corra para o www.myspace.com/elffus será um bom momento para se permitir vibrar, dançar e abraçar pela sonoridade brasiliense dessa banda cativante.
http://poesiaeguerra.blogspot.com

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