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O extermínio da juventude negra

De cada dez pessoas assassinadas no Brasil sete são negras. O que isso quer dizer? Extermínio da juventude negra. O racismo que leva ao extermínio da juventude negra nasce no Estado brasileiro, o Estado é racista e estimula o racismo. O Estado é racista e assassino, sobre suas bênçãos psicóticas o povo brasileiro é levado ao abatedouro social. São muitas as frentes de extermínios dos pobres e negros neste país: mortos por armas de fogo, muitas do próprio Estado, mortos pela ausência de atendimento médico, mortos intelectualmente por um sistema de ensino propositadamente deficitário, mortos por um sistema de leis que facilitam e estimulam o crime, mortos por uma justiça parcimoniosa com ricos e agressiva com pobres, pela ausência de justiça.
A ideia de branqueamento da população do Brasil não é novidade, o Estado sempre buscou branquear a população, agora vivemos sua ação mais agressiva, exterminar a juventude negra e homens, é para o Estado assegurar que nas próprias gerações a população negra diminua.
O negro já foi retirado da vida social televisiva e política do país. Não há em nenhum canal de TV negros apresentando programas relevantes, nas novelas os negros (quando há) têm sempre papéis menores, nenhum colunista de economia, política ou cultura são negros. Em canais de TV como GNT é raro a presença de negros, os canais abertos nos mostram sem cerimônia o quanto negros não são bem vindos, nas revistas, nas propagandas, nos programas matinais são todos representação desse Estado e seu programa de branqueamento.
Naturalizam em um país mestiço como o nosso a presença ostensiva de brancos como se fosse realmente natural que negros fossem simplesmente riscados de todas as mídias do país. E essa mídia a serviço do programa de branqueamento do Estado segue a ideia de cotas, escolhem três ou quatro negros, dão limitada e controlada  visibilidade a estes negros e assim perpetuam o racismo e a exclusão.
O processo de branqueamento atua em todas as áreas da sociedade. Quantos pastores negros você conhece no Brasil que são apresentadores de TV nestes programas evangélicos? Dentre todos os padres famosos no país quantos são negros? Sabe por que muita gente não estranha isso? Porque o racismo foi naturalizado, acha-se normal a ausência do negro.
Mesmo nos partidos políticos que se dizem defensores de direitos civis o racismo impera. Nenhum grande líder da esquerda brasileira, de ontem e do  hoje, foram negros ou negras , quando esses partidos estiveram no controle do Estado os negros tiveram tímida participação, nenhum negro foi indicado para ministro de Estado como Fazenda, Justiça, Educação ou Defesa.
É preciso a sociedade brasileira não racista enfrentar em primeiro plano a sociedade racista e seu Estado racista. É tempo de união urgente para salvarmos vidas, essa união deve enfrentar nosso maior inimigo: O Estado, mas podemos além de pressão política atuarmos socialmente: não compre produto de nenhuma  empresa que em suas propagandas só usem modelos brancos ou que só usem o negro como coadjuvante, não veja novelas, telejornais, programa de auditório que o negro seja coadjuvante ou que nessas emissoras a presença do negro seja discreta. Boicotar o sistema de mídia é o primeiro passo para enfrentarmos a naturalização do racismo e em segundo plano é não votar em partidos que nas suas fileiras não tenham negros atuando para cargos estratégicos, que os negros não tenham o mesmo destaque midiático que os brancos.
É preciso quebrar a naturalização do racismo, enquanto se encarar com naturalidade a invisibilidade dos negros o programa de extermínio e branqueamento do Estado vai continuar, a exclusão do negro do poder político ou até mesmo de inocentes e bobos programas matutinos são munições que fuzilam nossa juventude negra na macabra estatística do crime racista de Estado que também alimenta o ego racista de uma sociedade criminosa.

   

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