Pular para o conteúdo principal

Um brinde a vida, a você e mim, a nós!

Foto: Dum Lima
Não sou adepto da ideia: “deixa a vida me levar/ vida leva eu”, mas às vezes não adianta afundar-se em tristeza ou angústias, não vai resolver nada. Então é bom relaxar e seguir os conselhos de Vinícius de Moraes: com alguns bons amigos, beber de bem com a vida. O país ta foda, eu já estou com 43 anos, não fiquei rico (também essa nunca foi minha meta), não tenho nada de excesso para viver, o que sempre desejei é viver com dignidade, com pouco e feliz, o negócio é que até mesmo o pouco é cada vez mais pouco, mas é bom manter o equilíbrio, entre chá e cerveja todo santo ajuda a andar na linha.
O Brasil, disse uma jornalista inglesa, não é um país para quem tem coração fraco, e não é mesmo, aqui quem menos anda voa e quem vacila se acostuma a comer farelo e acredita que tudo de ruim que acontece foi porque Deus quis assim.
Deus quis assim porra nenhuma, quem quis assim foi nós mesmos, Deus deve ter medo disso aqui. Então um dia ao menos na semana é preciso saber ser leve, caminhar sem preocupação, ter paz de espírito mesmo que deitado em cama com pulga.
Às vezes acredito que sim, todos nós temos anjos da guarda, mas não anjos da guarda de religião alguma, é uma espécie de energia que tem compaixão de quem somos, cuida de nós e nos protege, mas convém não abusar, até os anjos da guarda cansam dos nossos abusos.
Quem não tem medo? Eu tenho, às vezes choro encolhido em um canto, às vezes lamento pelas utopias que não aconteceram, às vezes penso besteiras, mas estou aqui, vivo, ainda é possível eu e você caminharmos pela vida na paz dos anjos.
Se há motivo para choro, há motivo para riso e há riso maior que estarmos bem na linha da grandeza desta vida? Vamos viver que há muita gente ainda por nascer e dia menos dia estaremos indo embora, seremos esquecidos, mas antes disso tudo, sejamos felizes mesmo vivendo em um país no qual o amor parece ter sido esquecido. Um brinde a vida, a você e mim, a nós!

Postagens mais visitadas deste blog

"A felicidade é uma arma quente”

Eu que nunca saio do meu lugar exílio, imagino como o mundo deve ser lindo. Estou tão fantasma em Santo Amaro que me considero um prisioneiro condenado a devorar-me sem piedade e pouco a pouco ir morrendo de tantas angústias que não há sol a iluminar tanta escuridão.
Você descobre que está ficando para trás quando todos da sua geração foram embora. Quando esses seus amigos voltam à cidade e você só fala com eles do passado é sinal também que a amizade já era, ficou presa em algum lugar desse mesmo passado. Nem eles e nem você cabem mais na vida um do outro.
Acostumar-se com migalhas de felicidade, com aparente segurança da rotina é um passo certo para pararmos no tempo, para voltado às pequenas coisas nos tornamos bobos de uma corte morta há tempos.
Torna-se um monumento não é bom, se isso acontece quer dizer que mesmo você estando vivo, todos vão considerá-lo morto. Tenho a impressão que a natureza só mata alguém quando esse alguém já não interfere nem para o bem nem para o mal na vida…

Carta para daqui a 50 anos

Hoje é sábado, 29 de junho de 2013, São Pedro, últimos dos santos juninos, aqui perto em São Francisco, vai ter show “grátis” do Chiclete com Banana, claro que não vou, tem gente em excesso de suposta felicidade e acho um saco tanta gente feliz junta por quase nada, não que eu seja triste, mas a minha felicidade repousa na linha do horizonte, não se resume a uma multidão insana pulando e gritando: “chicle...tê!!!! Em 2063, o maior plano é tá vivo, curtindo minha velhice e ouvindo as histórias da minha filha, ler essa carta nem que seja com uma lupa daquelas de Sherlock Holmes, talvez olhe para uma foto minha de hoje e diga: elementar, meu caro Ney, tudo no fim deu certo. Não pense, eu de hoje, que meu sonho é só envelhecer, há o recheio, como de um sanduíche que comi certa vez e daria para alimentar um uma fila inteirinha de pau de arara, pau de arara eram caminhões que certamente devem ter levado muita gente minha para São Paulo, gente que por lá trabalhou duro e morreu da mais profund…

Mãos calejadas, meu Deus.

Os escravos eram as mãos e pés dos seus donos, tinham as mãos calejadas do trabalho braçal e penoso nas plantações enquanto os senhores de engenho tinham as mãos suaves. Neste momento aconteceu algo que marcou para sempre a divisão do trabalho: o trabalho braçal e o intelectual, o braçal desprestigiado e intelectual privilegiado. Ter as mãos calejadas passou a significar pouco estudo e baixa qualificação, consequentemente desprestigio social, enquanto o trabalho intelectual passou a ser valorizado, trabalho de “doutores”, de pessoas “importantes”. Essa divisão alimentou e alimenta muitas das nossas mazelas e preconceitos. O presidente Barack Obama disse que não pode simplesmente colocar os imigrantes ilegais para fora dos Estados Unidos, porque o país precisa deles. Nos Estados Unidos trabalho como motorista, gari, baba, diarista, garçonete, frentista ou pedreiro são excetuados por imigrantes, muitos deles brasileiros que aqui não pegariam no cabo da vassoura para varrer a própria ca…