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infância da velhice

Ediney Santana
O filho de hoje talvez seja pai e mãe amanhã, e um dia pode voltar a ser filho, quando quebrantado pelos anos precisar de ajuda para se vestir, alimentar, caminhar e até tomar banho. A sina última de quem avança nos anos é voltar a ser criança um dia, claro que não precisa ser pai ou mãe para voltar à fragilidade da existência, mas aqui neste texto falaremos dos filhos que caminham para um dia serem filhos dos seus filhos.
Glória passageira da juventude, colheitadeira de ilusões, aproveita que não sabe o preço do pão, da luz, do celular, aproveita que ainda não tem o coração tomado pelo medo, vive tua glória, vive sua infância estendida, mas saiba que logo ali na esquina encontrará a curva que lentamente o levará novamente para outra infância: a infância da velhice.
O Brasil não é mais um país de jovens, estamos envelhecendo, logo nossos cabelos brancos tingirão as ruas e pergunto-me onde estarão os filhos de hoje? Viverão ainda como agora? Indiferentes ao próximo? Na ilusão de que o mundo foi feito para servi-los? 
É preciso cuidar das crianças e jovens de hoje para que amanhã não sejam adultos que matam, para que amanhã não sejam os indiferentes que abandonam seus pais. 
O Brasil é um país em que  idosos são obrigados a caminhar por calçadas esburacadas, ruas sem sinalização, sofrem com a falta de médicos e sobretudo com a falta de amor de quem sendo jovem acredita-se eternamente assim.
Pais que caminham para a segunda infância, cuidem dos seus filhos. Respeito, temperança, lealdade, honestidade e compaixão são virtudes que o dinheiro não compra e que a escola não pode ensinar. Se seus filhos não têm essas virtudes, preparem-se para o dia em que viverão a dor e a triste sensação de que falharam na educação deles.
Ensinar desde a tenra infância que somos todos interdependentes é a primeira lição a ser aprendida. A forma de educar os filhos hoje, vai determinar o que colheremos amanhã : belas flores de um lindo jardim ou urtigas e cactos. 
http://poesiaeguerra.blogspot.com
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