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Saudade

Ediney Santana
A tarde é calma, horas preguiçosas, silêncio e frio no julho de Brasília. Mãe me disse que em Santo Amaro faz frio, nossa casa como sempre é morada da solidão e estamos como sempre sóis. Amigos desempregados e eu nada posso fazer, fico triste com minha impotência. Pessoas brigam por candidatos, eu com saudade de ser útil aos meus amigos. O céu é laranja quase negro amante do azul. Preocupo-me com meus irmãos, mãe e meus poucos amigos, estou doente, doente, doente e tudo é carnaval no Congresso Nacional.
Renata Maria crescendo e eu distante, longe da alegria da descoberta e aprendizado. Nossos sonhos cabelos grisalhos. Um Arame farpado brinca no meu estômago e tenho medo da luz e da gente que caminha ao invisível do meu lado.
Por onde andará meus sonhos? A coragem de ir contra o vento? O tempo nos acalma ou nos leva na flor da mocidade, envelhecer é caminhar na preguiça de um dia de domingo, ouço Caetano Veloso enquanto estou longe, breve felicidade, breve flor que me amanhece relicário e amor.
Meus mortos, meus vivos, minhas saudades, minhas lágrimas, meus risos, meus amores e meu coração incendiário adormece no frio dessa tarde. Meu labirinto, os erros que cultivei, o declínio da paz de espirito.

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"A felicidade é uma arma quente”

Eu que nunca saio do meu lugar exílio, imagino como o mundo deve ser lindo. Estou tão fantasma em Santo Amaro que me considero um prisioneiro condenado a devorar-me sem piedade e pouco a pouco ir morrendo de tantas angústias que não há sol a iluminar tanta escuridão.
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