Pular para o conteúdo principal

O instante poético de Nick Drake

Nick Drake nasceu em 1948, viveu apenas vinte seis anos. Nascido na Inglaterra foi um ponto fora da curva de sua geração. Cantor de voz melancólica, autor de canções intimistas e delicadas Nick em nada lembrava os artistas dos anos de 1960, não segurou bandeiras políticas, introspectivo, pouco expositivo, sem muitos amigos e solitário compositor.
Antes de se dedicar a música estudou Literatura em Cambridge, esse período foi decisivo na sua formação, anos mais tarde ao começar a compor suas letras eram carregadas de poeticidade, refinadas e bem estruturadas.
A discografia de Nick Drake se resume a três discos oficiais, o primeiro deles foi “Five Leaves Left” lançado em 1969, foi recebido com frieza pela crítica, era melancólico e poético demais para os anos revolucionários da década de 1960.
Depois do lançamento de mais dois discos, Nick foi vencido pela depressão e voltou a viver com os pais. Perto de sua morte escreveu:

"Eu não sinto nenhuma emoção sobre nada.
Eu não quero rir nem chorar.
Estou dormente; morto por dentro"

No dia 25 de novembro de 1974 Nick Drake tomou alguns comprimidos para dormir e morreu, até hoje há a dúvidas se ele se matou ou foi um trágico acidente. Fato é que já havia escolhido viver só, desistiu da carreira musical e ilhou-se. Nick queria ser reconhecido, mas em um tempo de efervescência cultural  estava distante da sua própria geração, mas talvez sua falta de esperança e ausência de crenças políticas era seu manifesto involuntário contra a alegria florida de uma geração que dizia mudar o mundo quando o mundo continuava o mesmo em essência política e humana.
Em 1999 a BBC produziu um documentário sobre Nick, foi o começo da descoberta e redescoberta de sua obra, a público se interessou pela história do cantor de voz melancólica e músicas suaves, as gravadoras viram a possibilidade de algum ganho financeiro em relançar seus discos e assim fizeram.
Sobre Nick Renato Russo disse "Eu descobri Nick Drake há pouco tempo. É difícil achar os discos. Ele é um anjo. Ele tem uma sensibilidade extrema.” Em “The stonewall celebration concert” primeiro disco solo do Renato ele regravou Clothes of sand de Nick Drake, uma bela canção que nos remete a dias de outono, dia de paz a comunhão.

Postagens mais visitadas deste blog

Ibaneis Rocha

Ao Excelentíssimo Senhor


Ibaneis Rocha


Governador do Distrito Federal


Brasília, 06 de janeiro de 2019.


Exmo. Sr. Governador,


Venho solicitar a Vossa Excelência que atente para a situação das árvores em Vicente Pires. Como morador fico feliz pelas obras que começaram e agora, tenho certeza, na sua gestão serão retomadas de maneira humanizadas. E é por acreditar na visão humanista de Vossa Excelência que escrevo aqui, não para pedir nada para mim, mas para as árvores que ficam nas vias públicas. Com o alargamento das ruas sei da necessidade se cortar algumas árvores, mas o que me causa terror é saber que quase todas as árvores serão arrancadas das ruas, árvores que fazem parte do único paisagismo verde de Vicente Pires, no entanto não é só uma questão estética, mas também de saúde. Como sabemos as árvores atenuam o calor, barulho dos carros, retém a poeira das ruas, nos oferecem sombras, acalmam e claro filtram o ar. Não queremos que Vicente Pires tome, por exemplo, a avenida comercial em …

"A felicidade é uma arma quente”

Eu que nunca saio do meu lugar exílio, imagino como o mundo deve ser lindo. Estou tão fantasma em Santo Amaro que me considero um prisioneiro condenado a devorar-me sem piedade e pouco a pouco ir morrendo de tantas angústias que não há sol a iluminar tanta escuridão.
Você descobre que está ficando para trás quando todos da sua geração foram embora. Quando esses seus amigos voltam à cidade e você só fala com eles do passado é sinal também que a amizade já era, ficou presa em algum lugar desse mesmo passado. Nem eles e nem você cabem mais na vida um do outro.
Acostumar-se com migalhas de felicidade, com aparente segurança da rotina é um passo certo para pararmos no tempo, para voltado às pequenas coisas nos tornamos bobos de uma corte morta há tempos.
Torna-se um monumento não é bom, se isso acontece quer dizer que mesmo você estando vivo, todos vão considerá-lo morto. Tenho a impressão que a natureza só mata alguém quando esse alguém já não interfere nem para o bem nem para o mal na vida…

Como é viver com ódio?

A internet parece ter sido transformada na vitrine do ódio. Sempre encontro bons vídeos e sites na internet com conteúdo interessante e instrutivo, mas esses sites e vídeos têm baixíssimas visualizações, por outro lado sites e vídeos com conteúdo de ódio ou violência têm milhares de acessos. Canais de políticos que não tem nada de proativo ou ideias criativas e práticas, mas explodem de ódio batem recordes de seguidores que expõe ódio, violência verbal e ameaças.   Parece ser um estado permanente de ódio, seja religioso, sexual, político ou cultural, nada escapa ao ódio. Algumas manifestações de ódio são abertas ou diretas, outras são disfarçadas de altruístas, mas todas têm como objetivo neutralizar qualquer voz dissonante dos que esses furiosos ambidestros pretendem. No mundo da violência emocional odeia-se por um único motivo: não há no mundo espaço para concepções socais diferentes das quais a ambidestra cavaleira do ódio defende.   O ódio emburrece, torna bruto corações e mentes…