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A religião do mal

 Tudo o que somos para além do que nos destina a natureza em nossa odisséia biodegradável é fruto da cultura, educação, política e religião. A política se apossou de estudos biológicos e nos dividiu em sub-raças,nos que "nasceram para vencer” e quem já nasceu derrotado, nos que nascem em berço de ouro por “conquista e mérito” e nos que nascem nas miséria e pobreza, nos que são inaptos para conquistas, e nos que são destinados a se tornarem vencedores, em quem nasceu para servir e os que nasceram para serem servidos, nos que tem cara de bandido e nos que cara de “homem de bem”.

O darwinismo social é a teoria política que alimenta todas tragédias sociais da humanidade. Ao aplicar a teoria evolucionista de Charles Darwin a política, os que enxergam a sociedade como um processo natural de evolução criaram toda base argumentativa para sustentar ações racistas e eugenistas, culpar pobres e miseráveis por suas condições de vida.

Muitos religiosos que abominam as ideias de Charles Darwin, se apropriaram e apoiam as distorções criadas a partir da ideias dele, quando aplicadas à sociedade, mesmo tendo consciência que isso é uma fábrica de sofrimento e mortes.

Durante a pandemia o darwinismo social foi predominante(já existia antes) no Brasil, não faltaram demonstrações de descaso e escárnio por parte de alguns políticos, alguns religiosos, alguns artistas e alguns empresários que não se comoveram diante famílias inteiras destroçadas, cemitérios lotados e o desespero na busca por vacinas e hospitais.

A crueldade observada no comportamento das mais bizarras figuras públicas durante a pandemia foi sustentada diante a constatação que o coronavírus infecta e mata mais os pobres que os ricos. De cada dez mortos por covid no Brasil, oito são pobres.

A partir daí o que se observou foi o darwinismo social atuando pesado na comunicação enganosa, manipulando e jogando nos braços do coronavírus milhares de pobres que acabaram abraçando justamente as ideias dos que não dão a mínima por suas vidas.  

Enganam-se os que crêem ser possível usar a política, religião, cultura ou o capital para fazer higienização social como ponte para um Brasil dos sonhos.Queiram ou não os darwinistas sociais, não se faz um país tendo a exclusão, racismo, violência e xenofobia como projeto político, cedo ou tarde, quem crer nisso, descobre que não existe dor seletiva,ódio seletivo. Tudo que é vivo é biodegradável.

 


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